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turismo

por sapoprincipe, em 18.03.09

 A maravilhosa Vera está pensando em viajar. Entre Paris e Londres deve dar uma passada na terrinha. Como ela me pediu uma dica, lembrei-me deste texto que escrevi pra Fal.


   Torre dos Clérigos - Porto                             Foto by Cláudio Luiz


 

Portugal é um belo sítio (para usar o sotaque local e já entrar no clima) para ser visitado. Acho até mais, que devia fazer parte do currículo estudantil ou ter uma lei determinando a visita (se os deputados podem fazer viagens, gentilmente, pagas pelos contribuintes, por que não podemos nós?). Visitar Portugal é mesmo conhecer as raízes. É saber de onde viemos e porque somos assim. Para cariocas e mineiros (não vou incluir os outros estados porque não conheço bem o Brasil e Bahia, com leda nagle certeza, não deve ser bem assim) é descobrir que esta história da mistura brasileira não é na proporção que imaginamos. Nesse angú, os portugueses colocaram fubá a mãos cheias.

 

 

Mesmo sendo um país sem grandes dimensões, as diferenças são substanciais. Para o norte, Portugal vai até Coimbra. Daí pra baixo são os mouros. Como eu vivi no Porto, não podia nem dizer que achava os alfacinhas (lisboetas) simpáticos, senão…

 

Os tripeiros (os habitantes do Porto. Biba o Porto, carago. (detalhe, os que têm o sotaque mais carregado trocam o "V" pelo "B")) são simpáticos, mas muito conservadores. Se ouvir um fuoooooda-se, não estranhe. Cá não é assim um palavrão e eles usam, muitas vezes, como pontuação. Seja ponto final ou exclamação.

 

A cidade é bastante cinzenta, por conta do granito. O centro histórico é património mundial. Caso a visita seja rápida, é dar uma vista d'olhos na avenida dos Aliados, apreciar o belo prédio da câmara (nossa prefeitura) em estilo palaciano inglês (ao que consta, existe muito poucas construções nesse estilo fora da Inglaterra). Dê uma passada pela bela estação de comboios (vc ainda não sabe que comboios é trem, pá?) – São Bento, se benza na Catedral da Sé (pela quantidade de vinho que você está pensando em beber, melhor se benzer duas vezes) e desça para a Ribeira. Onde tem vários bares (um deles, o original, o meu Mercedes é maior que o teu), restaurantes e algumas lojinhas – para o caso de vc querer levar um souvenir. E o d'Ouro. A vista é a ribeira de Gaia (Vila Nova de Gaia), pra onde vc vai atravessando a belíssima ponte de ferro – Ponte D. Luís I – obra de um sócio do Eiffel (é, aquele da torre). Vai do verbo tem que ir. É em Gaia que ficam as caves do vinho do Porto (não me peça esclarecimentos. Mas dá para saber que a rivalidade entre Gaia e Porto não era tão acirrada no sec. XIX como é agora. Rio e Niterói, percebes? Já Porto – Lisboa é 10 vezes mais do que Rio – São Paulo, pois). Quantas caves você irá visitar só depende do tempo disponível e de quantos copos vc tem que beber antes de cair. A visita sempre começa com a história do vinho do Porto, fotos dos socalcos (lindos), depois uma passagem pelos tonéis de carvalho (o grosso do vinho já não é armazenado nestas caves, é claro) e finalmente… a degustação. Branco, Ruby, Vintage…  se o almoço foi uma portentosa posta de bacalhau com natas ou uma francesinha (sanduíche típico do Porto. É pão, bife, salsicha, linguiça, presunto – cá eles falam fiambre – pão, queijo e molho feito com cebola, carne, vinho e cerveja (isto tudo é líquido. Uma coisa só), que eles acompanham com batata frita. Tudo muito light. Você não precisa se preocupar com o regime. Poderá até abusar da sobremesa. Bolo de bolachas e Natas do Céu), vá em frente, divirta-se. Se não, irá ficar com os copos (eufemismo que eles usam pra bêbado) mais rápido.

 

Havendo tempo, uma ida a torre dos Clérigos. Depois de tomar muito vinho, subir aqueles degraus todos pode ser um bom exercício. Lá de cima, a vista de toda a cidade.

 

Perto da torre tem o Centro da Fotografia (antiga cadeia da Relação), a Faculdade… (qual, meu deus?), a que fica em frente a praça dos Leões, duas igrejas (uma com a lateral toda em azulejos pintados à mão) e a pérola… Livraria Lello (sabe aquele belo dicionário que tinha na casa da sua tia-avó da editora lello? é esta). Não sei qual é a orientação sexual do arquitecto (o acordo famigerado fará cair o c) ou engenheiro que fez o projecto, mas que aquela escada é uma desmunhecada, é. É linda. A escada, as estantes, a livraria. Além de se poder comprar livros (melhor a Fal entrar sem carteira e sem cartão de crédito, porque senão qualquer programação, mesmo que seja só uma ida ao casino de Espinho, já fica comprometida).

 

Querendo fazer umas comprinhas, pode-se ir à rua de Santa Catarina. Onde terá que parar para tomar um café no Majestique. Uma obra-prima da arte nova (eles não usam o art nouveau). Se for meio-dia ou 3 ou 6 da tarde, dá pra ver os "bonecos" do relógio que fica na esquina da santa Catarina com passos Manuel. Além de uma passada no mercado do Bolhão.

 

Acho que este é o núcleo duro do Porto. Lógico que tem várias igrejas para serem vistas. Tem o Museu Serralves de arte contemporânea que é fabuloso. O prédio em si (obra do Siza Vieira. Deve ser amigo da Vera, já que ela é intima do Nini), os jardins, a casa antiga (e pensar que aquilo tudo era de uma família. Que não era a minha, diga-se de passagem. Depois ainda querem que eu acredite que deus é justo. Se é justo, não gosta de mim e olha que eu não fiz nada. Sou quase um santo. Não sou, Fal?). Sem contar as exposições. Além de vários cafés, barezinhos (tem uns novos excelentes próximos a torre dos clérigos. Estão mudando a cara da noite portuense). O estádio do Dragão para quem gosta de futebol (vc gosta muito? Mas nem chega ao pé dos que torcem prós dragões. Depois que vim pra cá foi que eu percebi o que é ser fanático por futebol). O FCPorto é azul e branco, então, nada de falar em vermelho (depois não diga que eu não avisei).

 

Quanto a trilha sonora, o Porto tem vários expoentes da música portuguesa – mais pop rock. Pedro Abrunhosa (que já foi gravado várias vezes por cantoras brasileiras), Rui Reininho, Rui Veloso (que nasceu em Lisboa, mas ele é do Porto. Que tem umas das músicas mais bonitas que já ouvi. Todo mundo conhece como anel de rubi, mas chama-se Paixão. Não sei se concordo com o que ele fala na letra, mas que é linda, é). No Porto não há muita tradição do fado. É coisa mais dos alfacinhas (Lisboa menina e moça, amada / Cidade mulher da minha vida – do Carlos do Carmo. Tem o da Amália - Cheiram bem porque são de Lisboa / Lisboa tem cheiro de flores e de mar / Cheira bem, cheira a Lisboa) que se tem que fazer silêncio para ouvir. Eu sempre faço silêncio para ouvir. Primeiro, porque minha mãe me deu educação. Segundo, por que eles exigem. Mas eu sou de outra terra. E lá tudo acaba em samba…

 

""Minha pátria é minha língua"

 

Fala Mangueira!

 

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó

 

O que quer

 

O que pode esta língua?"

 

(e nem comente sobre o acordo. Eles adoram nosso sotaque. Percebem tudo que falamos (o inverso não é verdadeiro), pois assistem muitas novelas, mas juram que falamos tudo errado. Mesmo que vc tenha construído a frase direitinho como manda a gramática brasileira. Bingo!!! É isto… nós falamos brasileiro).


E eu nem comentei das piadas, porque é balela. Todas aquelas piadas que juramos que são de português, são mesmo. Eles contam as mesmas piadas falando que são os alentejanos (que são os baianos de cá).

 

Então, boa viagem.

 

PS-Acabei por não falar da noite de São João (padroeiro da cidade), do inverno e do natal. 

 

 

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publicado às 12:00


3 comentários

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De Tati a 18.03.2009 às 12:12

Clau, diz que eu vou te ver?
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De Monix a 18.03.2009 às 17:07

Da próxima vez eu vou!
Adorei o texto cheio de sotaque, especialmente o "prós" em vez de "pros", deu até pra ouvir o jeitinho portuga de falar. Beijos
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De Ana Paula a 19.03.2009 às 20:21

Eu tenho que guardar isso pra quando eu for ao Porto.
Acabei de ver que eu tenho um dicionário Lello em casa!

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