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mesa de bar

por sapoprincipe, em 30.09.10

Tenho uma amiga que está fazendo um curso de Design de Interiores.

Ela defende que a casa tem que ter a cara d@ don@. E é adepta do “do it yourself”.

Concordamos [quase] plenamente no primeiro item e discordo totalmente do segundo. Sou a favor de contratarem um profissional - sempre. Estou puxando sardinha pra minha brasa? Claro! Gosto do que eu faço, preciso trabalhar e quero é mais... Independente deste ponto interesseiro, existem outros pontos a serem discutidos.

Não acho que uma casa, para ter a cara d@ don@, tem que, necessariamente, ser feita por el@ mesm@.

Minha amiga tem um olho excepcional / brilhante para a decoração, o design, a arte, apesar de sua primeira formação ser em Farmácia. Mas essa não é a regra. A maioria das pessoas não tem esse olhar, e algumas sequer tem interesse em adquiri-lo (é uma coisa que se aprende, claro).

Há profissionais que têm um estilo definido e só conseguem fazer aquilo? Sim (alguns fazem sempre o mesmo por falta de competência mesmo).

Aí temos várias situações. Primeiro, a escolha do profissional. Acho que devemos respeitar os gostos dos clientes e traduzir os seus desejos (o que nem sempre se consegue da maneira que eles imaginam ou propõem. Já tive um caso em que ele queria uma cozinha “rústica” e ela queria colocar uma geladeira de aço inox.). Se o projeto apresentado não está de acordo, é necessário repensá-lo. Para tanto, é necessária a participação efetiva do cliente.

Se @ cliente escolhe aquele profissional que tem estilo próprio, é porque gosta daquele estilo ou quer o status que a assinatura dele confere ao projeto. Como há quem não queira a peça mais adequada para a sala mas, sim, uma peça assinada, porque acha que isso lhe fará parecer importante. Nesse ponto não dá para interferir, é uma questão para el@ resolver com a consciência del@ ou no divã do analista.

Por mais que um projeto, num primeiro momento, possa ficar com cara de showroom (tudo novinho), com o tempo as pessoas vão se apoderando do espaço. É a compra de um porta-retrato a mais, é um outro livro que se coloca na estante, é a troca do arranjo floral e tudo vai ficando mais pessoal.

Até que as alterações tiram a harmonia do espaço e começa a incomodar, sendo necessário um novo projeto.

Se a pessoa quer apenas pintar a casa ou pendurar um quadro, é simples (embora até para isso, às vezes é bom chamar um profissional), mas um projeto de interiores vai muito além disto. Há escolhas de cores, texturas, matérias e disposição do mobiliário, uma solução para a circulação, a insolação, o conforto. Por mais que se tenha regras para isto, em alguns casos é justamente a quebra da regra que dará a melhor solução, ou aquele plus.

O profissional, dependendo da sua experiência, poderá achar soluções criativas, até por conhecer os materiais e saber como funcionou a aplicação em diversos casos.

Quando minha amiga folheia revistas, ou pesquisa na internet, ela está passando por uma formação. E muitas das coisas que ela vê e destaca foram feitas por profissionais. Dá para achar que ficou bonito, não dá para saber é se os clientes gostaram e se tem mesmo a cara deles.

A questão é saber transpor a idéia de um espaço para outro. O que resulta num lugar não necessariamente irá funcionar em outro, por questões de dimensões, iluminação, composição das outras peças. Por isso é necessário avaliar bem a situação e o que se pretende. Algumas pessoas quererão fazer por elas mesmas, outras... nem por isso.

Ainda bem, pois pra mim é um prazer dar forma aos desejos das pessoas.

 

NB - o @ entrou para dizer O ou A ou elE ou elA. coisa que aprendi com minha amiga Monix.

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publicado às 12:00


4 comentários

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De Elir Ferrari a 01.10.2010 às 13:34

Eu sou adepto à contratação de um profissional, porque meu gosto para a estética é de ruim para pior... Mas, na falta de poder aquisitivo, vou me virando com as possibilidades, com minha bagunça organizada, meu sofanete horrendo (mas maravilhoso para minha coluna), minhas estantes transbordadas. Uma amiga abarrotou meu guarda-roupas com quase todos os meus livros e reduziu três estantes a uma... sinto que ficou faltando pedaços de mim em minha casa. Os livros são a parte de mim que preciso visível, para meu conforto e tranquilidade (Freud explica). Já estou pensando em um profissional para dar uma solução: parede inteira, ou mesmo uma cama de livros, onde eu possa me mimetizar enquanto durmo...

Tudo isso é para dizer que nem sempre um profissional é viável, muito menos um do it yourself. Como fiz - 50% de cada - pode ser uma solução. O que importa é que resulte em conforto.
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De sapoprincipe a 01.10.2010 às 13:58

Elir, tem que se ir adaptando ao possível. Gosto é uma coisa que se aprende. Então, comece a treinar o olhar. Estante com livros é sempre uma coisa bonita. E pra você que gosta tanto, indispensável. Mas é preciso conciliar o que se gosta, o que se tem e o espaço disponível.
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De Suel Fruvasc a 05.10.2010 às 02:26

Claudio,
adorei o texto. Sua paixão ficou muito visível ai.
Eu tento passar longe de interiores na faculdade. Até faço bem quando necessário (até porque é o que eu faço no trabalho, porém pra ambientes comerciais), mas com certeza não é minha praia.
Achei engraçado o que disse sobre "rústico"+"geladeia inox", isso é MUITO mais comum do que se imagina.
Numa das disciplinas da faculdade nós projetamos ambientes pra pessoas de verdade (segundo suas vontades e características) e vinha cada pérola! Além de ser funcional, estético e prático, o arquiteto precisa ser um pouco vidente também. rs

Abração;
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De sapoprincipe a 05.10.2010 às 16:29

Suel, viva.
O arquiteto precisa ser mesmo múltiplo. Você ainda irá se surpreender com todos os pré-requisitos necessários. ehehehehh
Não querendo interferir na sua agenda, acho que poderá gostar da discussão do post que está por vir. Apareça.

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