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mesa de bar

por sapoprincipe, em 14.10.10

Você convida ela prá sentar

(Muito obrigada)
Garçom uma cerveja
(Só tem chopp)
Desce dois, desce mais...

Amor, pede
Uma porção de batata frita
OK! você venceu
Batata frita...

Você não soube me amar – Blitz


 

 

Este papo sobre profissional tem tantas vertentes, não?

No caso de interiores agora que começa o boom do profissionalismo. Desde que o termo Decoração sofreu o upgrade para Design de Interiores, várias escolas vêm oferecendo (nas grandes cidades, pelo menos) cursos de graduação e pós-graduação. Mas, pelo que ouço dizer, os cursos de graduação não andam lá tão bem – por uma política educacional do governo que ainda precisa de sérios ajustes, por várias escolas estarem só interessadas no valor da mensalidade (nunca no nível do ensino) e por ser, de certa maneira, um assunto novo. Os cursos de pós também não ficam atrás. Posso dizer de cadeira. Claro que sempre um professor ou outro nos faz pensar que o curso vale a pena. Na minha pós, foram 3 professoras até agora. Mas, há outros professores e orientações da coordenação que são de chorar no cantinho.

Além da eterna disputa de status.

Os formandos em design achando que os antigos decoradores eram apenas algumas pessoas com jeitinho (não deixa de ser ver verdade em grande parte, mas alguns aprenderam na prática e poderiam dar banho em muitos profissionais). Em compensação, grande parte dos arquitetos olha com total desprezo pro designer e colocam à parte qualquer arquiteto que se atreva a atuar na área (e olha que é uma área em expansão!).

Para esses, a pirâmide social dos profissionais ficaria desenhada com os decoradores como a ralé; a seguir, os engenheiros; depois, os grandes profissionais que são os arquitetos e, no topo, os urbanistas – estes divinos seres que pensam as cidades, quiçá o universo.

Mas é mesmo assim? Precisa de uma hierarquia ou deviam estar todos trabalhando para um mesmo fim? O que conta não deveria ser o bem estar do ser humano?

Um grande urbanista que planejasse – e construísse – largas avenidas (arborizadas na minha preferência), algumas ciclovias e ruas pedonais (não seria de todo má), definisse zonas residenciais, comercias e industriais. Locasse praças, parques, escolas, hospitais, serviços, etc., mas lá não se encontrasse ninguém, nenhum ser humano (vamos exagerar: nenhum animal). Ainda assim seria uma cidade?

Um projeto brilhante de um arquiteteto – com uma volumetria bem proporcionada, balanços arrojados, implantação cuidadosa com melhor aproveitamento da insolação, mas vazio, sem morador, é uma residência? É uma casa?

Quando o arquiteto vai projetar uma casa unifamiliar, poderá, no caso, estar falando diretamente com os futuros moradores. Mas se essa mesma casa estiver num condomínio (um dos planos lá do urbanista), com várias casas semelhantes, ou ele estiver projetando um edifício, ele saberá exatamente quem irá habitar o imóvel? Ou teremos o construtor definindo o que ele acha que o mercado pode absorver e entregar o apartamento numa imaculada cor branca (mas só por ser a tinta mais barata) e uma famigerada cerâmica begezinha nos banheiros e na cozinha (mais uma vez porque conseguiu um bom preço). E aquele apartamentozinho de 2 quartos, pensando inicialmente para um casal recém-casado ou, no máximo, com um filho pequeno, que está lá habitado por família com 3 filhos?

E quando o arquiteto define os pontos de tomadas e de luz ele não está pensando (ou pelo menos deveria) num projeto de interiores, já que ele estará definindo a posição do mobiliário? (não é verdade. A tomada da TV nunca está onde deveria e nunca há tomadas suficientes naquele quarto que se quer transformar em escritório).

Pensemos uma situação mais favorável: um casal (jovem ou não), sem filhos, compra uma casa (sempre falo casa podendo ser casa mesmo ou apartamento), boa, sala ampla, cozinha bem iluminada, 4 quartos fantásticos, mas querem reformar. Metade de um quarto servirá para ampliar a sala (já que eles gostam de receber amigos com frequência), a outra metade será um closet (que ela faz questão. Olha o preconceito, pensou em roupa, já se usa o feminino), o outro quarto, um escritório e por aí vai. Obra, quebrar paredes... arquiteto. Mas quando eles começarem a discutir qual a melhor posição do sofá na sala, onde ficam as estantes no escritório, a distribuição das gavetas do closet, a cor da parede do quarto, qual profissional chamar?

Num processo de entrevistas e discussão de propostas, o designer de interiores consegue uma bela harmonia de cores, revestimentos com texturas diferentes e agradáveis, um melhor aproveitamento dos espaços, belas estantes para os livros (eles - os livros - merecem), belo jogo de luzes, deixando o casal satisfeito por poder receber os amigos num ambiente agradável e confortável. É esse o profissional que é dispensável?

Tá, também se faz decoração para vender apartamento... Estão ali simulando um perfil. Mas, quando alguém decide pensar no interior da sua casa, é porque ele quer ocupar aquele espaço. Transformá-lo em seu. Ele quer ter ali o seu habitat.

E a casa de 4 quartos pode ser apenas um quarto e sala, ou só um quarto, não interessa, é o espaço a ser ocupado por uma pessoa (ou várias) do jeito dela (s).

Esse não é um ponto importante?

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publicado às 09:00


2 comentários

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De Ana Paula a 14.10.2010 às 16:32

Você sabe como eu me sinto e o que penso a respeito. Mas concordo cada vez mais contigo. Só há controvérsias quanto ao topo da pirâmide, dependendo de quem a monte. Tem uns arquitetos estrela por aí que colocariam os urbanistas também nas posições mais subalternas...
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De sapoprincipe a 15.10.2010 às 20:31

Ana, mesmo sabendo das suas opiniões, vou dizer que não sei :c) Assim, fica a desculpa para conversarmos mais a respeito e eu aprender mais um pouco.
Meus cumprimentos pelo dia de hoje a você está no post acima.

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