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prazo

por sapoprincipe, em 28.03.18

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   Os três episódios da  nova temporada do Decora não me encheram  os olhos. Uma das novidades é o Maurício falar o tempo de obra para execução do projeto. O que acabou por me levar a fazer um comentário na postagem dele no instagram.

   Ele respondeu, mas não me convenceu. Apesar de eu ter feito mais um comentário - simpático. Neste episódio específico o prazo de execução da obra - com um bom planejamento e tudo comprado - poderia mesmo ser curto. Mas, pelas próprias imagens dá pra ver que tem mais gente ajudando na montagem, do que ele disse.

   Como já fui questionado por uma cliente sobre prazo, poderando que "no programa eles fazem tão rápido", e eu tive que responder, não pude deixar de comentar a postagem.

   Lógico que tem que fuincionar a mágica da tv, mas poderiam ser mais realista em certos pontos. É possível fazer uma obra em tempo muito curto? Sim. Mas, provavelmente, o acabamento não será dos melhores. Fazer pintura com alguém fazendo poeira do lado, não funciona. E vale o ditado - a pressa é inimiga da... Tá, a perfeição não existe, mas uma boa qualidade exige afinco e atenção aos detalhes.

   Poder decidir tudo sem consultas, como ele faz, também facilita. Até por que, um projeto mesmo, que passa pela negociação com o cliente do que será executado e tendo que se limitar a compras sem patrocínio, gera outra dinâmica. Ah, sem contar o tempo de planejamento. 4 dias é bem diferente de 30 dias de planejamento e compra + 4 de execução.

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publicado às 12:00

domingueiras

por sapoprincipe, em 25.03.18

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by Cláudio Luiz

Contando dias e horas... mas atrasado, ainda mais.
E no rascunho.
Quando comecei a procurar calendário de 2018 vi um calendário lunar de 2017 e achei bem interessante. Depois acabei por encontrar modelos variados.
Não daria tempo de fazer no prazo que eu tinha. Ainda assim, considerei construí-lo. O início do ano astrológico seria um limite. Passou. Seria pra postar domingo passado - início do ano lunar.
Fiz como um exercício mesmo. O raciocínio necessário para resolver as linhas e a construção do calendário. O autocad, por ser um programação de precisão, achei que daria conta, mas congelou. O corel, que sempre trava, funcionou bem. A questão são os números quebrados. O círculo tem 360º e o ano 365 dias. Acabei usando o 360 e sobrepondo linhas - dos dias 31 e 1 - em alguns meses. Agora, é pensar em soluções de finalizações... isto se eu me animar a construir o de 2018.
Contudo, foi um bom exercício.

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publicado às 22:32

estações

por sapoprincipe, em 20.03.18

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by Alexis Peskine 

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by Cláudio Luiz

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publicado às 15:33

por isso não provoque

por sapoprincipe, em 14.03.18

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Cor é mais do que aquilo que você vê nas superfícies.
Se a cor estivesse no foco de Simone de Beauvoir, ela teria dito:
- não se nasce cor, torna-se cor.¹ 
Ops! O "rosa" criou perfil no feissy? Se engajou?
Se não, deveria. Entra sempre na discussão de gênero, pelo menos.
Rosa é uma cor trans?
Cor é uma construção social. Assim sendo, rosa ser cor de menina também o é.
Foi sempre assim?
Não. Rosa cor de menina é relativamente recente.
Início do século passado - por volta de 1920 (quando se tornou possível a fabricação de cores resistentes à fervura). Então, em torno de 100 anos.
"E essas cores de bebê contradizem nossa simbologia cromática: pois o vermelho é masculino – e o rosa é o vermelho em pequena escala, o “vermelho pequenino”, a cor dos garotinhos."
As cores tem leituras diversas e opostas. Como o vermelho que pode ser amor/paixão - luta/força. Preciso estudar mais, mas não vejo uma alteração de significados tão grande como aconteceu com o Rosa.
Em quadros antigos, vemos Jesus, ainda criança, retratado com roupas rosas.
Nas pinturas do século XIII até mesmo do século XIX, Jesus nunca é retratado de azul (o manto de Maria - mãe de Jesus - é azul).
Valeria aqui perguntar para os machões de plantão - onde está seu deus agora?

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Fra Angelico - Madonna and Child - c. 1433

Na pintura barroca (séc XVII) também vemos crianças com vestimentas rosa.
"Porém, essas criaturas vestidas de cor-de-rosa não são meninas, e sim príncipes, caracterizados pela cor rosa – o vermelho pequenino – como futuros governantes."
No período Rococó (1720 a 1775), a corte francesa foi quem deu o tom à moda. Nas pinturas daquele tempo, geralmente os cavalheiros estão vestidos em costumes de seda cor-de-rosa, e as damas são vistas, com maior frequência, em vestidos azuis-claros.

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Madame de Pompadour by François Boucher - 1756
Começa a alterar a moda e usar rosa.

Madame Pompadour (1721-1764, amante do Rei Luís XV, que foi considerada uma das figuras francesas mais emblemáticas do século XVIII) começou usar rosa em seus trajes e teve o seu próprio tom de rosa - “Rosa Pompadour” - que a manufatura de porcelana de Sèvres criou para ela. Um rosa com nítidos traços de azul, um pouco de preto e um pouco de amarelo - uma mistura particularmente difícil de ser preparada.

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Jornal dos Sports 1974 

Finanças e futebol que ERAM tidos como coisas masculinas, também cederam ao rosa.
O Financial Times, jornal financeiro mais famoso, publicado a partir de 1888, era impresso em papel cor-de-rosa.
O Gazetta dello Sport ainda é (Grazie, Alline).
Advinha qual a cor de fundo dos sites deles hoje?
Também o nosso Jornal dos Sports, primeiro periódico especializado em esportes no Brasil -1931, que não existe mais, também era impresso em papel rosa. Não por inspiração do jornal italiano, mas, sim, pelo francês L'Auto.

Quando o rosa se tornou feminino, se tornou uma cor da discriminação. Os homossexuais, na Alemanha nazista, tinham como sinal de reconhecimento, um triângulo cor-de-rosa costurado à roupa.

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Triângulo rosa.

Depois virou um dos símbolos de luta do movimento gay.

Seguindo nesse clima de citações, poderia apelar para Gertudes Stain:
- uma rosa é uma rosa é uma rosa.²
Mas, não necessariamente - apenas - rosa.
Quantos tons de rosa você conhece?
Rosa bebê, Rosa claro, Rosa chá, Rosa quartzo, Rosa velho (bois de rose), Rosa antigo, Rosa chiclete, Rosa pérola, Rosa salmão, Rosa Fúcsia (adoro este nome), Malva, Pink, Magenta,... segue a lista.

"3% das mulheres citam o rosa como cor predileta. Homens, não encontrei nenhum que tenha no rosa sua cor predileta." Pesquisa de Eva Heller para o seu livro.
Será que Eva Heller entrevistou, também, o Pastoureau?
"...tons rosa fabricados pela mão do homem me parecem contar-se entre as cores mais desagradáveis à vista."
Mesmo ele sendo um grande estudioso das cores, ele esclarece logo no prefácio: a minha atração pelas cores frias... pelos cinzentos, a minha aversão pela maioria dos cor-de-rosa e dos violetas, a minha fobia pelo ouro... prefiro a sobriedade à policromia, as cores contidas às cores exuberantes." Sendo estudioso da cores - Freud explica? rs
E ainda completa em relação ao rosa - "Talvez seja esse o segredo das cores: são muito poucas as que suportam ser densas".
Rosa é uma cor leve?
Num determinado tom, sim. Doce e delicada, chocante e kitsch, também.
Cor do charme, da simpatia e da gentileza. 
-

"Naturalmente, ao pensarmos no rosa, pensamos também na pele."
Quem pensamos? Tenho amigos que descordariam, com certeza. É só pensar no tons de nude que só depois de reclamações começaram a contemplar todas os tons de pele.
"O rosa é a cor da nudez." O que o torna uma cor erótica.
"O ambiente onde a pele desnuda fica mais bonita é o rosa." Aí, já posso concordar. A depender do tom, o rosa de fundo irá valorizar tanto as peles claras quanto as negras.
"Os que sonham com um quarto de dormir erótico... para isso não existe nenhuma cor que se adeque melhor que o rosa. E que cores combinam bem com esse quarto? O sensível cor-de-rosa, em sua ação, combina muito bem com as outras cores. Perto do branco, o cor-de-rosa sugere perfeita inocência. Mas, perto do violeta e do preto, como no acorde da sedução e do erotismo, o rosa oscila entre a imoralidade e a paixão, entre o bem e o mal." Uia!
-

Voltando à pele rosa (cor muitas vezes usada mesmo para pintar tom de pele - lembrem-se das suas pinturas na creche), não podemos esquecer que os porquinhos são rosas (para alegria da ) - Piggy dos Muppets pros mais velhinhos e Peppa Pig, para as novinhas.
Não podemos pular a Pantera Cor-de-rosa e nem Penélope Charmosa.
-

"Não existe cor que combine melhor com as sobremesas. É a cor do deleite, do regozijo. Doce e suave, esse é o sabor que se espera do rosa."
As crianças preferem bolos com cobertura rosa, já os adultos, preferem com cobertura branca, por associarem o rosa a muito doce.
Bombons Sonho de Valsa devem entrar na lista. Mon Chéri, também.
Doces também podem ser os sonhos... cor-de-rosa.
Ou a vida. La vie en rose. (ligue o som, seja com Piaf, Armstrong, Grace Jones, Cyndi...)
-

Mas, mais que um vermelho fraquinho, o rosa tem seu caráter próprio.
"Por isso não provoque
É cor de rosa choque" [Rita Lee].

Notas:
1 - "não se nasce mulher, torna-se mulher" [O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir / 1908-1986]
2 - "a rose is a rose is a rose" [Gertrude Stein / 1874-1946]

3 - livros utilizados para produção do texto:
Goethe, J. W. - Doutrina das Cores
Heller , Eva - A Psicologia das Cores
Pastoureau, Michel - Dicionário das Cores do Nosso Tempo

 

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publicado às 11:55

domingueiras

por sapoprincipe, em 11.03.18

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by Mona Caron

via Jaci Carioca

Quando se tem amigos de bom gosto... é fácil.

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publicado às 18:03

saindo do forno

por sapoprincipe, em 09.03.18

Como eu havia dito o texto estava no forno. Agora, passada a folia, ficaram prontos os comentários dos 13 últimos episódios da temporada 11 (2017). Postando, antes que comece a temporada 2018.

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O que conseguimos aprender nestas 13 aulas do Maurício? Foram vários os episódios dos quais gostei.
T11-E14 Quitinete no Copan. Terá ele escolhido este projeto pra mexer num projeto do "Nini"? (Niemeyer para os não íntimos, como a Vera. rs)
Edifício icônico de São Paulo: 1160 apartamentos - praticamente um bairro.
Aproveitamento de espaços pequenos sempre é um destaque.
Amigos me enviam com frequência vídeos com móveis que se embutem em armários, ampliam, dobram pra economizar espaço. Dois pontos a destacar: ferragens são itens caros e, nesses casos, ainda mais; e armar e desarmar móveis para uso, todos os dias, não é o melhor dos mundos (embora na necessidade ajudam e resolvem a questão dos espaços pequenos).
Maurício ressaltou - é preciso verticalizar. Demoliu o armário embutido. Inclusive a laje construída para apoiar o maleiro (muito comum em edifícios antigos), mas acabou desistindo de quebrar o soco (base do armário), pois quanto menos entulho, melhor. Menos impacto no meio ambiente, inclusive, como ele mesmo disse.
Colocou a cama de casal sobre o armário (só não entendi a escolha por um colchão de 30 cm, quando existem de 15 e 20, também confortáveis, e seriam mais favoráveis pra quem está precisando de espaço), avançando a posição do armário em relação à parede, criando um pequeno espaço embaixo, onde foi colocada uma cama - para a filha que passa alguns finais de semana com ele, além de servir, também, para algum hóspede dormir. O fato de o tablado ser mais largo e permitir um espaço ao lado do colchão foi uma bela sacada. Criou um espaço para uma "mesinha de cabeceira". Só acho aconselhável ele dormir no sofá ou no "quarto" da filha caso chegue bêbado em casa. rs
No armário, também foi criado um nicho na lateral para embutir a geladeira (que não cabia na cozinha). Envelopou com vinil preto, para acompanhar o acabamento do armário e não destacá-la.
O armário foi feito com os topos aparentes - sem fita de borda. Gosto bastante. Desenhei um mobiliário (armário e mesinhas laterais) para uma loja em que os topos eram sem fita de borda. Mas, no meu caso, seria usado um compensado especial, em que as placas da composição do compensado eram bem selecionadas para ter o menor número de furos possível, intercalando uma clara com uma escura, o que realça o desenho. Topos aparentes foram tendência na década passada.
Não deixem de reparar na luminária com lâmpada tubular perpendicular à parede.

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No episódio T11-E15, temos uma aula sobre alturas. O espaço da antiga garagem, que se tornaria um estar/salão de jogos e tv, já tinha um pé direito alto e ele ainda tirou o forro, deixando o telhado aparente, tornando-o ainda mais alto.
O jogo com a altura pode começar no rodapé. Usar rodapé alto em espaços baixos fará com que pareça ainda mais baixo. Não quer destacar a altura, jogue toda a iluminação para baixo, nada para o teto. Destaque os móveis e os quadros, que deverão estar linha do olhar - a borda ou moldura superior no máximo na altura das portas.
Complementando com uma dica minha: ter um faixa no alto da parede com a mesma cor do teto, também ajuda - se a iluminação puder ficar na altura dessa linha, ajuda ainda mais.

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T11-E17 - Não é um ambiente que eu destacaria, mas tem 3 pontos. Adorei a solução do encaixe dos sofás. E a possibilidade de variações que o layout permite. Teve o uso de tijolinhos - ohhhhh - mas (isso não foi dito) me pareceu um jogo com o revestimento da parede da churrasqueira, que não seria mexida e ficaria visível por conta das portas de vidro.

"Todo ambiente tem uma vocação, uma maneira inteligente de ser ocupado, que aproveite ao máximo o seu potencial, é só descobrir como. Os materiais tem esse poder de influenciar atitudes e despertar sensações que a gente quer provocar nas pessoas." Parece texto de marketing para escritórios de Design de Interiores, mas, algumas vezes, os redatores do programa são bons e acertam em cheio.
Como os sofás eram peças grandes e com tecidos diferentes, o melhor é que conversem ente si. "Outra dica é não usar almofadas 'decorativas' com estampas." Já tem informação suficiente com a mistura de tecidos. No caso, ele fez almofadas com os tecidos dos sofás e brincou, alternando a cor da almofada e do sofá.
"Quando criarmos ambientes monocromáticos o resultado é visualmente super relaxante." Concordo, mas não esqueçam, é importante variar os tons para que o ambiente não fique monótono.
Ah, eram 3 pontos... Mas o terceiro não tem a ver exatamente com o programa. Foi a primeira pessoa que enviou um vídeo que me chamou a atenção pela beleza. Deve ser mal do nome - Mariana. Isso não significa que amigos, amigas, irmãos de outros participantes não tenham chamado atenção pelo mesmo motivo.
Só mais um detalhe: um dos quadros usados é do artista plástico Luis Bueno - pelé beijoqueiro - como, no caso, era o da Monalisa, lembrei-me da Helê - Duas Fridas - Costa, que gosta de futebol, Gioconda e Frida. Não necessariamente nesse ordem, of claro ©.

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T11-E19 - Hall de entrada de um edifício, que ele transformou num belo estar, ou quase. Eu fiquei em dúvida sobre o paisagismo. Principalmente pelo uso de vários vasos pequenos. Como é um edifício sem porteiro, acho que teria sido mais adequado ter vasos mais fáceis de cuidar.
"Cores quentes - amarelo/laranja/vermelho - ficam sofisticadas quando usadas em apenas alguns pontos ou sobre uma base de cinza bem escura." É uma das soluções possíveis. Cores pouco saturadas ou com bastante cinza na composição têm tendência a serem consideradas sofisticadas. Cores saturadas e vibrantes dão um ar mais descontraído, alegre.
O que o episódio chama a atenção é para a ilusão criada pelos móveis e tapetes na dimensão do espaço. Antes da reforma, havia ali um sofá com poltronas e um tapete à frente com a mesma dimensão. Como o espaço é grande, esse conjunto ficava ali meio acanhado, parecendo ainda menor e também "constrangendo" o espaço. Ele usa um sofá grande - mais de acordo com o tamanho do espaço - e um tapete ainda maior (a regra normalmente é esta - o tapete deve ser maior que o sofá, avançando uns 30 cm pra cada lado e, também, avançar sob o sofá) e aí vemos o espaço se "expandir".
Painéis de madeira liso e com fecho de toque para esconder medidores de água, relógios elétricos etc. é uma solução recorrente e que funciona bem.

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Iluminação do hall do Whitney Museum- NY foi o que serviu de partida para a solução do projeto da escola de fotografia do T11-E21.

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O projeto do hall do museu é impactante, o da escola... nem tanto. Se a verba disponível não dava para comprar mais pendentes/luminárias, achei que ele poderia ter usado outras estratégias. Como deixar uma borda ("tabeira") junto às paredes e vigas, para que as luminárias formassem um conjunto mais compacto. Nem que pra isso ele tivesse que usar lâmpadas diferentes nas luminárias das bordas e nas do centro. Enfim... todo projeto permite "n" soluções. Como o depois ficou melhor que o antes, conto como ponto favorável.

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O episódio da brinquedoteca - T11-E23 - gerou post no facebook. Várias amigas criticaram. Eu gostei. Achei legal a setorização por cor. Os vários ambientes, o espaço central com a árvore e as mesas, que permitem múltiplos arranjos. O espaço para as crianças maiores - pré-adolescentes - que era um espaço para bate-papo e, eventualmente, leitura (tinha outro espaço para a "biblioteca") foi o mais criticado no post que vi (da Denise? já não lembro), mas acho que foi mais pela forma que foi mostrado, já que o espaço não seria assim tão estanque e as crianças não precisavam ficar confinadas dentro deles.

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Para continuar nos pontos críticos, não gostei nem um pouco do papel de parede do quarto de bebê/hóspede - T11-E24. Quer dizer, o papel é interessante, um quadriculado irregular. Mas, como ali tinha o fundo branco, só conseguia pensar em "área de serviço". Gostos.
Mas vale prestar atenção num ponto que ele ressaltou nesse episódio. Para colorir o quarto, ele usou a cor amarela no berço, na cômoda, no "R" e no quadro, sobre o sofá, formando um triângulo. "Isso faz com que o nosso olhar percorra o quarto procurando a cor." Também cria uma sensação de equilíbrio dentro do projeto. E conjunto. Como sempre repito - tem que se pensar no conjunto.
Deborah, a luminária acima da poltrona lhe lembra alguma coisa?

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Seguindo esse raciocínio - T11-E25, um quarto para dois irmãos. Apesar de eles serem muito diferentes em jeito e gostos, em função da pequena dimensão do quarto era ainda mais importante o conjunto. "Criar dois espaços totalmente diferentes num quarto só irá fazer com que pareça menor."

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Meu episódio favorito da temporada - T11-E18 - escritório em casa.
Não é o espaço mais bonito do programa, mas tem vários pontos, nem sempre tão perceptíveis ou valorizados, que me fez gostar dele. Também me fez lembrar do projeto que fiz para minha amiga - maravilhosa - Mariana (eu disse que podia ser mal do nome), não é nem um pouco parecido, mas tem algumas "intenções" similares.
Começando pela crítica. Tem uma informação errada. Ele diz que, como a sala é estreita e cumprida, ele pintou a parede do fundo num tom mais escuro para que ela parecesse menor (acho que ele queria dizer mais quadrada). Não é bem assim. Cor escura diminui (na briga pelo padrão irreal de beleza, quantas vezes não foi repetido para as mulheres que preto emagrece?), mas, também, cria ilusão de profundidade. Então, a parede do fundo pintada de cor escura vai criar mais profundidade, fazendo o ambiente parecer mais comprido e estreito. A regra que a maioria repete é que, se se quer que o ambiente pareça maior, pinte de branco, mas existem outras soluções possíveis, que irá também depender das dimensões e forma do espaço. Por que ele atingiu o objetivo? Pq, além da parede do fundo, ele pintou parte da parede lateral - até o vão de acesso à cozinha, inclusive caixonete e alizar da mesma cor da parede - cinza escuro. E faz o mesmo "jogo" que ele comentou no T11-E24: o sofá é cinza escuro; a parte inferior do móvel de apoio da tv (e que servira de banco num dia com muitas visitas, já que a sala é bem estreita) também é cinza escuro; o armário superior com portas, para que ele possa esconder sua área de trabalho. Triangulação.
Trocou o carpete marrom por um piso claro bege acinzentado, o que já ampliaria o espaço. A regra é que se coloquem as réguas de piso perpendiculares à parede da janela - vão de entrada de luz - para que se disfarce a junção das réguas - que costumam dar uma leve levantada - é muito pequena, mas a sombra criaria destaque. Ele colocou ao contrário, perpendiculares às paredes laterais, pq os veios da madeira existente no piso criam linhas horizontais que fará com que o espaço pareça mais largo - que é o que ele gostaria.
O sofá é sem braço para que as pessoas possam sentar nas pontas. E ele teve o cuidado de comprar um sofá que fosse exatamente do tamanho da parede entre o vão de entrada da cozinha e o acesso ao quarto. E não cumpre uma regra que ele disse no primeiro episódio da temporada, se não me engano: "coloca-se o sofá na maior parede da sala". É que um bom profissional sabe quando é necessário quebrar as regras... ;c)
O móvel da tv é alinhado com o sofá - delimitando, claramente, o estar e o jantar. Também usa o recurso do tapete pra isso - que, por sinal, é lindo. Outro ponto de destaque de beleza: o quadro do artista coreano Sang Won Sung.
A prateleira sobre o sofá está "coincidentemente" na mesma linha do desenho que ele fez na parede do fundo da sala e lateral do "cachimbo" (o prolongamento da sala para acesso à janela), que foi inspirado no trabalho do artista plástico Felice Varini. O Marcelo e os amigos ficaram tão impressionados com as mudanças que o Maurício até esqueceu de comentar o efeito que a pintura produz.
O armário para o material de trabalho tem porta camarão com ferragens, que permite a abertura para os dois lados, onde está a bancada de trabalho e portas de abrir onde tem as prateleiras para armazenamento. Ali ele colocou caixas de plástico que facilitam o armazenamento e servem como "bandeja" para levar o material até a bancada. Também avançou com o armário além da viga, que "traz o armário" pra sala, o que contribui para incorporar espaço a ela, fazendo, mais uma vez, com que pareça maior.
Achei simpaticíssimo ele criar abertura na parte superior do armário para passeios do gatos. Só não achei muito prático ele colocar um quadro solto sobre a prateleira que servirá de trampolim para os gatos acessarem a abertura do armário. Dou um desconto nessa, por que ele é pai de cachorro (cadela na realidade. Linda.) e não é amigo da Telinha. rs.

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NB-1 - Todas as fotos do site do Decora na GNT by Felco (Felipe Costa).
Exceção E23 - by Débora Melo.

NB-2 - Pra quem ainda não sabe, enviei uma carta com sugestão para o programa.
Achei que seria interessante fazerem um programa de fechamento do ano com uma APO (análise pós-ocupação).
Como as pessoas mantiveram o espaço? A proposta de móveis para organização surtiram efeito?
As pessoas aproveitaram o projeto para se tornarem pessoas mais organizadas?
Design de interiores influencia as pessoas?

Eu acho que seria um bom programa e, sendo de final do ano...
cairia no gosto de provocar emoções e superações que as TVs tanto gostam.

Logicamente, não poderia ser a respeito do programa da semana anterior,
teria que ser os do início da temporada ou das passadas.

Por exemplo, o Marcelo - T11-E18 - conseguiu se organizar mesmo?
Quais fotos os alunos da escola de fotografia - T11-E21 - fizeram do novo espaço?
Aquele primeiro programa, em que a mulher quis a reforma da cozinha
porque fazia bolos pra festas, facilitou mesmo a produção?

Diz aí se não seria um programa legal? ops... é Decora, não é programa da Regina Casé. rs

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publicado às 13:17

cores negras

por sapoprincipe, em 06.03.18

Agora que a minha opinião não poderá influenciar o Oscar... vamos falar de Pantera Negra.
No cinema, nada é por acaso. Seja da escolhas dos atores à cor do fundo de cena.
Um filme com direção e elenco predominantemente de negros é algo para ressaltar sim. Pra isso, temos o depoimento da Helê no Duas Fridas e, também, este texto do Fábio Kabral, indicado pela Laura Guimarães.
Para exibir sua exuberância, o filme tem muitas outras qualidades. Da atuação à beleza dos atores, cenários e figurinos. Inspirados numa África que é plural nos plurais.
Não tenho como avaliar o quanto das escolhas dos figurinos entram no gosto da maioria branca. Eu achei maravilhosos. Só não me surpreenderam mais por conta de, nos últimos tempos, ter encontrado, internet à fora, vários artistas africanos contemporâneos que me impressionaram por demais.
Embora não dá para ter dúvidas de que usaram de interpretações clássicas para as cores. Tema que tem sido, cada vez mais, meu foco aqui.

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Isso fica claro na escolha do roxo para Zuri (Forest Whitaker), inclusive é a cor da bebida da cerimônia de coroação do rei; o branco no contato com o divino (passagem para o outro mundo) e me fez lembrar do post daqui "deu branco" - cor do início - pois é quando eles iniciarão seus reinados (mas isso foi só coincidência, acho eu);

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os vermelhos para a guerreira Okoye (Danai Gurira - a chefe da guarda de Wakanda) e suas "meninas"; os tons terrosos de M'Baku (Winston Duke) ", por que será?

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Foge ao esquema o caso de T'Challa (Chadwick Boseman), afinal, ele não tinha como fugir do preto. Mas, Erik Killmonger (Michael B. Jordan) tem um uso de preto também acentuado, além de marrons e tons cinzentos (queriam dar um aspecto meio sujo, não?). Mas, no duelo entre os dois de Pantera, um tem efeitos de roxos - elevação - e o outro de marrons. 

Preciso rever o filme para acertar o tom de Shuri (Laetitia Wright), pois me perdi nos figurinos mais moderninhos - eram pra mostrar seus conhecimentos e idade? (rs) e definir o padrão de verdes e ouro para a engajada Nakia (Lupita Nyong'o).
Como bem diz Frazer e Banks: Não importa se é um longa-metragem de Hollywood, um comercial de batom ou um curta alternativo, espera-se que o filme seja um texto de múltiplas camadas e que a cor represente uma importante camada de significado.
Independente se vc tem isso claro ou não.
Putz, o filme foi lançando agora, só irá concorrer em 2019...  e agora?
eheheheheh

NB 1 - " Muita coisa já se remexeu aqui dentro logo nos primeiros minutos. ...
Nunca permita que diminuam a importância que o filme tem para você.
Não precisa explicar pra ninguém. Quem sentiu, sentiu. ...
A ficção causa explosões de inspiração e força para lutar as batalhas no mundo real.
A ficção tem esse poder de nos reconectar as nossas lendas ancestrais.
Nunca permita que ninguém diminua a importância que o filme tem para você.

Esse filme é uma declaração de amor a todas as pessoas pretas no mundo."
Fábio Kabral
NB 2 - Hoje, no mailing do Meio, vi esta brincadeira aqui
Legally Black - novas versões dos cartazes do cinema -
(trocadilho com o "Legalmente loira"). No caso do Pantera...

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publicado às 13:58

tom

por sapoprincipe, em 01.03.18

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mudança de estação, início do ano astrológico.

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