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estante

por sapoprincipe, em 26.10.22

221026_livro.png

“Quem tem um amigo tem tudo” já disse o grande Emicida.
Quem tem a Vera Guimarães como amiga tem mais.
Foi ela que me deu “História da Violência” – Édouard Louis de presente.
Comecei a ler, mas a tensão da obra mais as eleições me fez dar uma pausa. Não é uma leitura exatamente leve. Ainda mais pra mim.
Retomei. Gostei muito. Gostei sobremaneira da forma como ele conta a história. O final não fez vibrar o uau! que eu vinha fazendo e faço pelo livro como um todo.
Além do outro trecho que já postei e outros mais que marquei no livro, tem este trecho:

“As mentiras me salvaram mais de uma vez. Se eu for pensar, muitos momentos de liberdade da minha vida foram momentos em que pude mentir, e por mentir quero dizer resistir a uma verdade que tentava se impor a mim, aos meus tecidos, aos meus órgãos, uma verdade já estabelecida em mim, às vezes havia muito tempo, mas que tinha sido estabelecida em mim pelos outros, de fora, como o medo que Reda havia inoculado em mim, e eu percebia que as mentiras eram a única força que me pertencia de verdade, a única arma na qual eu podia confiar, de modo incondicional. Eu me deparei, no trem vindo para cá, com esta frase de Hannah Arendt, que não repeti para Clara, que zomba de mim quando falo de filosofia; Arendt escreve: "Em outras palavras, a negação deliberada da realidade - a capacidade de mentir - e a possibilidade de negar os fatos - a capacidade de agir - estão intimamente ligadas; ambas provêm da mesma fonte: a imaginação. Porque não é natural que sejamos capazes de dizer que 'o sol brilha' quando está chovendo [...]; isso indica que, ainda que estejamos aptos a apreender o mundo pelos sentidos e pela razão, não estamos inseridos nele, ligados a ele, como uma parte inseparável do todo. Estamos livres para mudar o mundo e nele introduzir a novidade". Minha cura veio daí. Minha cura veio dessa possibilidade de negar a realidade.”

pág. 156

Neste momento em que mentiras foram contadas/postadas durante este governo horrível para manipular o povo e volta a ser usada de forma contundente, mais uma vez, nestas eleições é difícil destacá-la.
O trecho me fez lembrar de minha madrinha dizendo – falar a verdade é falta de educação. Como eu era pequeno e estava na fase do catecismo e ouvindo sempre – mentir é pecado – fiquei como o meme do John Travolta, até conseguir elaborar que não falar a verdade não é necessariamente mentir. Ou mentir como ele coloca no livro que passa por ele ter que omitir sua crise, para tentar superá-la ou em outros momentos de sua vida que tem que esconder sua orientação sexual é outro ponto.
O pessoal diferente do público.
O pessoal diferente do todo.

publicado às 23:24

domingueiras

por sapoprincipe, em 23.10.22

221023_karimi.jfif

by Alireza Karimi Moghaddam

A intenção do artista é com o país dele.
Já a minha interpretação, é que essa onda, com as ordens de Iemanjá, leve esta oferenda estragada de volta pro esgoto, de onde nunca deveria ter saído.

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publicado às 18:13

domingueiras

por sapoprincipe, em 16.10.22

221016_fernando-monroe.jpg

Fernando Monroe - Tribute Zombie Boy

Intervenção na obra Perseus de Joseph Blanc (1869)

Gosto dessas "brincadeiras" com obras clássicas. Acho divertido.

Queria ter domínio em programas de imagens para fazer umas intervenções assim.

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publicado às 19:13

ponteiros

por sapoprincipe, em 13.10.22

“Minha vida se transformara em horas. Eu disse a Clara pela manhã que não tinha conseguido preencher o espaço brutalmente liberado pelo fim dos horários marcados, que me parecia impensável, para não dizer impressionante, ter conseguido, nos anos anteriores, encher o tempo de um dia, desde a manhã ou ao menos do meio-dia, hora habitual em que abro os olhos, até a noite. Vivia meus dias descontando permanentemente as horas, pensava: Mais de cinco horas até o fim do dia, mais de três horas...”

História da Violência
Édouard Louis

Nem terminei o livro ainda, mas esse trecho está a minha cara. Quando as coisas começaram a voltar ao “normal”, vieram as eleições e o ritmo desandou de novo. Os dias têm uns buracos, umas noites mal dormidas que se prolongam.
Agora, contando as horas pra chegar dia 30 e depois irei contar os dias pra chegar 2023.

publicado às 13:13

domingueiras

por sapoprincipe, em 09.10.22

221009_bisa butler.jpg

Bisa Butler
I Am Not Your Negro

Adorei o trabalho, o colorido, as estampas de Bisa Butler.
Tem outros trabalhos dela que vi igualmente interessantes. Contudo, nestes tempos de preconceitos explícitos no país, achei que o título valia a escolha.

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publicado às 13:00

mês

por sapoprincipe, em 01.10.22

221001_mes.png

Calendário da Avoar Livros - Pirenópolis/GO
Na ilustração - Cana do brejo - Costus spicatus

Outubro. Calendário 2022, presente da minha amiga Vera. Primeiro dia do mês, mas tudo só começará amanhã. rs

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publicado às 13:13


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