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por sapoprincipe, em 19.08.15

Depois do contato inicial - estou ligando porque gostaria de fazer uma obra - vem a definição do que será feito. Seja um projeto de reforma da cozinha, seja um projeto para a casa toda. 

Definida a obra, vem a questão mais difícil – o resultado que se pretende.

A pergunta inicial - o que você quer? ou do que você gosta? - embora curtinha, implica uma formulação densa. Às vezes, é preciso tirar a informação a fórceps.

Não raro, não conseguem responder o que querem. A primeira resposta vem com uma solução do projeto - quero um sofá ali, uma poltrona ... a bancada aqui... e por aí vai. Não que isto não ajude a entender o que o cliente quer, mas essas peças naqueles lugares produzirão o efeito final pretendido?

Então, queiram uma casa aconchegante, acolhedora, luminosa, espaçosa, moderna, ousada, requintada, clássica, aberta, armazenadora... pense nos seus desejos. No que vc gosta.
A partir dessa lista vem um segundo ponto. O profissional tentará equacionar o desejo ao espaço existente. Quais desejos cabem ali? quais definirão uma unidade?
Se você está se aventurando a fazer seu próprio projeto, é hora de responder: "Dentre as coisas que vc quer e gosta, o que é adequado e cabe no espaço que vc tem?"
Esses são os dois pontos centrais. 

Depois virão questões de estilo, de cor, de aproveitamento de algum mobiliário (ou de todos, talvez). E, logicamente, a distribuição do mobiliário, a escolha dos materiais, a combinação das cores será definida no projeto.
Agora, é achar o conceito que irá nortear todo o projeto.
É para isso que vc está contratando um profissional.
Definido isso, o restante são pontos convergindo para produzir o efeito desejado.

Historinha - quando fui fazer vestibular (enem é uma evolução), na maldade que é ter que escolher,
aos 16/17 aninhos, uma carreira para vida toda, estava eu indeciso.
Arquitetura era a resposta desde criança para a famigerada pergunta
- O que vc quer ser quando crescer?
Quando fiquei indeciso, uma vez, uma tia me disse:
como vc é bom em matemática e gosta de desenho, vc pode ser engenheiro ou arquiteto.
Depois desse dia, a resposta ficou na ponta da língua.
E com uma bela intuição, sempre respondi arquiteto, nunca engenheiro.
Uma outra opção era psicologia. E eu ficava pensando que era incoerente.
Hoje tenho muito claro que no curso de arquitetura deveria ter umas cadeiras de psicologia,
principalmente para quem vai trabalhar com design de interiores
(que, antes, era chamado de decorador mesmo).

 

publicado às 11:00

Casa - fechando a porta

por sapoprincipe, em 27.07.15

O fascínio moderno por móveis inicia-se no século XVII.

Começaram a preencher o vazio medieval com cadeiras, cômodas e camas com dossel, mas de modo praticamente impensado. Estes quartos lotados não eram propriamente decorados.

Em França a nobreza e a alta burguesia viviam em casas individuais grandes - chamadas de "Hotels".  Não havia corredores nestas casas - cada quarto era diretamente ligado ao próximo - e os arquitetos se orgulhavam de alinhar todas as portas "enfilade", de modo que houvesse uma visão ininterrupta de um lado ao outro. É evidente que se priorizavam as aparências, ao invés da privacidade; todos, desde os empregados até os visitantes, passavam por cada um dos cômodos para chegar ao seguinte.

O palácio de Versalhes de Luís XIV também havia sido uma "casa grande", a maior da França. Ele era um lugar público, com poucas restrições aos lugares onde os cortesãos poderiam ir, e, consequentemente, oferecia pouca privacidade. Isto começou a mudar.

As duas grandes descobertas da Era Burguesa - a privacidade e a domesticidade - surgidas, naturalmente, nos Países Baixos, até o séc XVIII já haviam se espalhado pelo resto da Europa setentrional - Inglaterra, França e os estados alemães.

A primeira coisa que Luís XV fez quando se mudou para Versalhes foi reformar seus aposentos particulares. O enorme quarto pomposo ficou como era - para as formalidades e agora o rei dormia em outro lugar, isolado. O rei, antes uma figura pública, sentindo necessidade de privacidade é um exemplo do nível de influência que os valores burgueses exerciam e quão tão longe iam as mudanças de hábitos. Mme. de Pompadour, amante de Luís XV durante pouco tempo e depois sua conselheira e confidente durante quase 20 anos, foi grande incentivadora do interesse de Luís XV pela arquitetura doméstica.

A casa estava se tornando um lar e, após a privacidade e a domesticidade, o palco estava armado para a terceira descoberta: a noção de conforto. Os móveis forçam a civilização que se senta no alto a, mais cedo ou mais tarde, levar em consideração essa questão.

Logicamente que o estilo de vida hedonista das milhares de pessoas vivendo por prazer e se divertindo muitíssimo em Versalhes contribuiu para que os móveis confortáveis surgissem ali em primeiro lugar.

O maior problema para projetar os móveis não era somente técnico - o de como fazer a cadeira - mas também cultural - o de como ela era usada. [será usada. Fazendo um projeto tenho sempre que levar em conta a rotina de vida dos clientes. E, não raro, me vejo explicando como se dará o uso do novo projeto e como isto irá alterar algumas dinâmicas]

Mesas e cadeiras, ao contrário, por exemplo, das geladeiras e das máquinas de lavar, são um refinamento, e não utilitários.

A cadeira adquiriu um papel diferente na França de Luís XIV, época de prodigiosas conquistas militares, políticas, literárias e arquitetônicas. Também nesta época, os móveis foram elevados ao nível das belas-artes. Eles começaram a ser vistos como parte integrante da decoração de interiores, e a disposição improvisada dos móveis no passado cedeu espaço para uma decoração rigidamente arrumada. Ilustrações do palácio real de Versalhes mostraram uma mesa entre cada conjunto de janelas, uma cômoda de cada lado da porta, um banco na base da pilastra. Como a função dos móveis era realçar a arquitetura do cômodo, e não acomodar pessoas, as cadeiras eram projetadas para serem admiradas, e não, por incrível que pareça, para as pessoas se sentarem.

Já no século XVIII a variedade de tipos de móveis - na França - refletia a especialização que estava ocorrendo na divisão da casa; diferentes cômodos estavam adquirindo diferentes funções [ anteriormente os espaço não tinham função definida. Por exemplo, não existia uma sala de jantar, a mesa era armada e desarmada para ser locada no espaço em que queriam comer].

Nesta época surge na França o estilo que ficou conhecido como rococó - trocadilho com barroco e roc derivado de rocaille - como todos nomes da história da arte, ele foi criado após o fato, em torno de 1836. O termo não era elogioso; foi criado por críticos que desaprovavam o estilo. Mas o rococó é de suma importância.

O rococó foi o primeiro estilo desenvolvido exclusivamente para o interior, em oposição ao exterior. Isto realça que a parte interna das casas estava sendo entendida como muito diferente da parte externa, e também que ocorria uma importante distinção entre a decoração de interiores e a arquitetura.

Foi só no rococó que arquitetos como Blondel puderam se especializar em "decoração de interiores". [surgia aí uma das minhas profissões]

No futuro, o rococó seria substituído por outros estilos, mas permaneceria a convicção de que a parte interna as construções deveria ser considerada independente da parte externa.

Começou-se a ter diferentes móveis para cômodos diferentes e formalidades diferentes.

Havia diversos modelos de chaises longues e espreguiçadeiras, marquesa e duchesse para usos feminino.

Até a onipresente cadeira de braço estofada deve a sua forma a moda feminina: os braços recuados acomodavam as amplas saias e os encostos baixos davam espaço para seus penteados extravagantes.

O refinamento delicado do rococó francês foi frequentemente considerado feminino. E era, e não só no sentido metafórico. Se os interiores e a decoração das casas refletiam uma sensibilidade diferente, não foi só porque Luís XV - e portanto a sua corte - era dominado pela Mme de Pompadour, mas porque toda a vida social durante o ancien regime foi dominado pelas mulheres.

As cadeiras medievais, que tinham assentos retos de madeira, quase nunca eram estofadas. Mais tarde diversos materiais - couro, palhinha de junco, ratã - foram usados para fazer cadeiras. Inevitavelmente, tentava-se prender as almofadas à cadeira para evitar que elas escorregassem, o que originou os assentos estofados do final do século XVII. Este desenvolvimento atingiu o seu apogeu nos móveis do rococó francês quando estofaram os assentos, os encostos e até os braços.

Hoje em dia, admiramos [ou criticamos] seus aspectos decorativo [e excessos], mas a sua maior realização foi a ergonomia, pois estas belas cadeiras do rococó eram, acima de tudo, extremamente confortáveis [Cris Reis, lembrei-me de você, é claro].

Apesar trabalho de design de interiores ter surgido lá no século XVII / XVIII o profissional da área ainda é visto com um misto de desconfiança e prescindível. Além de ser basicamente contratado pela elite. O que é uma pena. Conforto, ergonomia, aconchego, identidade deveria ser básico. Mas ainda não conseguimos resolver nossa questão mais básica de teto/moradia [mais pela falta de uma política que não pense só no lucros de alguns] que ainda falta muito para chegarmos lá.

Fechando a porta de Casa, todavia a discussão continua.

 

Adendo - já que falamos de Holanda e França, um pulinho na Inglaterra - para não passar em white.

Enquanto na França o destaque fica pela vida palaciana e a preferência pelas grandes casas e na Holanda o desenvolvimento das casas menores e com privacidade ter sido mais rápido, na Inglaterra a preferência pela casa de campo teve repercussões na arquitetura.

Quase ninguém que tinha uma posição de liderança nos círculos da sociedade morava em Londres.

A planta e a disposição das casas urbanas inglesas, que geralmente eram enfileiradas (diferente do hotel parisiense, que era de centro de terreno) haviam sido padronizadas no final do século XVII, e pouco mudaram nos 150 anos seguintes. As casas de campo, por outro lado, eram bastante variadas, e foi aos seus projetos que os seus donos e arquitetos dedicaram a maior atenção.

Detalhes de etiqueta - a educação que cada vez perdemos mais.

Como não tinham celulares e zapzap, vizinhos de porta trocavam recados por escrito - que eram entregues por um criado - para evitar uma visita desavisada. Era falta de educação (ainda deveria ser) entrar sem ser convidado. Quando se planejava uma visita, era necessário deixar o seu "cartão de visitas" e esperar uma resposta.

Enquanto espero por respostas e pela entrega de alguns cartões, vou no aconchego da minha casa me recostar em meu sofá estofado, e pegar meu kindle para ler Orgulho e Preconceito de Jane Austen - a leitura ficará bem mais clara agora, of coursemente - e me entreter com as investidas de Mr Darc.

Texto tirado de
Casa - Pequena história de uma ideia
Witold Rybczynski


A Drops Corporation todo o meu reconhecimento e agradecimentos.

publicado às 20:01

casa - um lugar especial

por sapoprincipe, em 15.06.15

Chegamos ao ponto que me fez querer escrever sobre o livro - Holanda.

[ Casa - pequena história de uma ideia - Witold Rybczynski] 

A simplicidade da burguesia holandesa era expressa de várias maneiras. Os trajes do homem holandês, por exemplo, eram simples. Podia variar o tecido mas o estilo não mudou durante várias gerações (equivalem aos ternos atuais. Olhando livros de moda e vendo as variações das roupas ditas femininas - túnicas, saias, faethingale, anquinhas, espartilhos, melindrosas... as saias foram subindo até chegar na minissaia. Já os homens - túnicas, saias, aí chegou-se a solução de calça e casaca e não evoluímos muito mais daí, vem se repetindo com pequenas variações. Mas o assunto é casa e não moda.)

A mesma simplicidade e ponderação podia ser vista nas casas holandesas, que não tinham pretensão arquitetônicas das casas urbanas de Londres ou de Paris e que eram feitas de tijolo (que não se presta à ornamentação elaborada) e madeira em vez de pedra. Materiais mais leves, visto que o terreno era pantanoso e, geralmente, requeria fundações de vigas, cujo custo podia ser reduzido se as fundações suportassem menos peso.

Construir sobre vigas em terrenos recuperados tinha seus inconvenientes, mas também trouxe uma vantagem inesperada para seus ocupantes. Como as paredes laterais comum destas casas suportavam todo o peso do telhado e do piso, as paredes transversais externas não tinham qualquer função estrutural e, devido ao alto preço das fundações, era vantajoso construí-las o mais leve possível. Para conseguir isto, os construtores das casas holandesas inseriam várias janelas grandes nas fachadas, cuja função pode ter sido diminuir o peso, mas que também permitia que a luz penetrasse bastante nos interiores profundos e estreitos.

A luz que entrava por estas janelas era controlada por portinholas e por uma nova invenção - cortinas - que também oferecia privacidade da rua. Quando estas aberturas ficaram maiores, tornou-se mais difícil abri-las da maneira convencional, e os holandeses inventaram um novo tipo de janela - a janela de guilhotina.

Com a prosperidade, e à medida que os artesãos se tornaram mercadores ou agiotas, eles construíram estabelecimentos separados para os seus negócios. Os empregados e aprendizes tinham que procurar a sua própria moradia.

Começava a se operar uma grande mudança. A ênfase que a Idade Média conferia às cerimônias realça o caráter externo da civilização medieval - a vida era uma questão pública. Eram raras as oportunidades para se ter intimidade. Assim como as pessoas não tinham forte consciência de si, elas também não tinham um quarto próprio.

Foi em tais moradias burguesas, modestas, que a vida familiar começou a tomar uma dimensão privada.  Antes que a consciência humana entendesse a casa como centro da vida familiar, precisava-se da sensação de privacidade e de intimidade que não eram possíveis no salão medieval.

O caráter público da "casa grande" foi substituído por uma vida caseira mais sossegada e privada.

 O surgimento da casa de família era um reflexo da importância que a sociedade holandesa começava dar à família. O cimento desta unidade era a presença das crianças. As mães criavam os próprios filhos - não havia babás. As crianças pequenas iam para um jardim de infância aos três anos e depois para a escola primária durante quatro anos. Os Países Baixos tinham, acredita-se, o mais alto nível de alfabetização da Europa e nem os estudos secundários eram incomuns.

Também não havia tantos criados, pois a sociedade desaprovava a contratação de criados e o governo cobrava impostos especiais. [estamos falando de fins da idade Media. Passam-se séculos e no XXI vemos brasileiros esperneando por que o governo decidiu, finalmente, reconhecer os direitos das trabalhadoras domésticas.]

Valoriza-se mais a independência do individuo do que em outros lugares.

As casas holandesas eram muito limpas. Uma das explicações seria um tipo de manutenção preventiva - "está umidade do Ar que faz com que os metais tenham uma propensão a oxidar e a madeira a mofar, o que lhe obriga a tentar evitar ou solucionar o problema esfregando e limpando constantemente."

Nas casas os andares de cima começaram a ser tratados como sala formais. O segundo andar, de frente para a rua, foi transformado em uma sala de visitas e outros quartos começaram a ser usados somente para dormir.

Quando se pedia que os visitantes tirassem os sapatos ou calçassem chinelos [Henrique, agora vc já está avisado ;c)] , isto não era feito imediatamente ao se entrar na casa - mas quando se ia para o andar de cima. Era ali que se encerrava a esfera pública e começava o lar. Este limite era um conceito novo - o desejo de definir a casa como um lugar separado, especial.

 

NB - o texto poderia quase estar todo entre aspas. É quase só copiar e colar.

publicado às 16:19

sob patrocínio de Drops Corporation ...

por sapoprincipe, em 05.05.15

Continuando a leitura de Casa - Witold Rybczynski (texto original de 1986 e publicação brasileira de 1996).

Sua referência de residência é a dos burgueses.

"O que remete o burguês ao cerne de qualquer discussão sobre conforto doméstico é que, diferente do aristocrata, que vivia em um castelo fortificado, ou do clérigo, que vivia em um mosteiro, ou do servo, que vivia em um casebre, o burguês vivia em casa".

Comparando com o habitar hoje podemos perceber que houve várias alterações numa visão global e na definição do habitar.

Algumas mudanças são óbvias - os progressos do aquecimento [conforto ambiental, diriam os mais contemporâneos] e da luz que se devem às novas tecnologias. Nossos móveis para sentar ficaram muito mais sofisticados e mais bem adaptados ao relaxamento e outras mudanças são mais sutis - o modo de usar os cômodos, ou quanta privacidade eles conferem.

A casa da idade média era um local público - as pessoas moravam e trabalhavam no mesmo local.

"Era pouco provável que alguém do sec. XVI tivesse seu próprio quarto. Foi mais de 100 anos mais tarde que surgiram os cômodos onde os indivíduos pudessem ficar a sós - eram chamados de 'privacidade'."

"Os interiores das casas medievais restauradas sempre parecem vazias. Os grandes cômodos só têm poucos móveis, uma tapeçaria na parede e um banco ao lado da lareira. Este minimalismo não é uma artificialidade moderna; as casas medievais eram pouco mobiliadas." Os móveis daquela época não eram complicados e a maioria desmontáveis ["As palavras francesa e italiana para mobília - mobiliers e mobília - significam, como a palavra portuguesa, 'o que pode ser movido'."]

Depois desta descrição fiquei pensando que uma das mudanças em relação aos nossos dias seria a compartimentação dos espaços (sala/cozinha/quartos...), mas, ao mesmo tempo, não é raro hoje em dia ouvir alguém dizer - eu gostaria muito de ter um loft.

Outra grande diferença seria o conforto.

" A palavra 'confortável' não se referia originalmente ao prazer e à satisfação. Sua raiz latina é confortare - fortalecer ou consolar - e este significado se manteve durante séculos.

Sucessivas gerações expandiram o sentido de conveniência  e finalmente 'confortável' adquiriu o sentido de bem-estar físico e de prazer, mas isto só ocorreu no século XVIII.

Sir Walter Scott foi um dos primeiros romancistas que usou este novo sentido quando escreveu: 'deixem o mundo congelar lá for, aqui dentro está confortável'."

 

NB - Drops Corporation não é responsável pelo texto, pelo português ruim
 ou pelas vírgulas fora do lugar.

Só é responsável por colocar a cultura ao meu alcance.
A Drops Corporation todo o meu reconhecimento e agradecimentos.

publicado às 14:14

sob patrocínio de Drops Corporation ...

por sapoprincipe, em 22.04.15

"Durante os seis anos em que estudei arquitetura, só se mencionou o conforto uma vez." Esta é a frase inicial do prefácio de CASA, de Witold Rybczynski (texto original de 1986 e publicação brasileira de 1996).

Este é o problema das faculdades, algumas questões ficam mesmo de fora. E aprender a profissão só mesmo na prática, no exercício diário.

Depois, no primeiro capítulo, ele quer discutir o trato da casa. O conforto ali existente e fala na entrada de Ralph Lauren no mercado de interiores.

Ralph lança a "Coleção" composta de várias linhas:

- Choupana de Toras (o efeito geral é de uma rusticidade endinheirada, a decoração é equivalente ao jeans do estilista)

- Jamaica (claramente projetada para os estados do "Cinturão do Sol")

- Raça Pura (uma Inglaterra de sonho filtrada pela América)

- Nova Inglaterra (o menos teatral dos quatro; a sobriedade ianque não se presta à dramatização).

Além de "Marinheiro" e "Safári".

"Neste sentido são cenários para os quais o figurino já havia sido elaborado."

"A relação entre roupas e decoração de interiores é venerável.  Um interior do início do período georgiano (séc. XVIII) as curvas suaves dos móveis entalhados constituíam uma contrapartida para os trajes ricos da época e complementavam os vestidos volumosos das mulheres e os peitos de renda e as perucas elaboradas dos homens. Os interiores levemente pomposos do século XIX também refletiam modos de vestir; cadeiras com saias e cortinas drapeadas imitavam os detalhes de como os tecidos eram usados em saias e vestidos, e o papel de parede imitava os padrões usados nos tecidos. A riqueza dos móveis Art Déco espelhavam os trajes luxuosos dos seus donos.

Como Ralph Lauren pretendeu vestir a casa moderna?

A "Coleção" deve ser um ambiente total para morar. É possível usar um vestido Lauren, calçar chinelos lauren, secar numa toalha lauren, pisar um tapete... Agora é possível ser parte da propaganda.

Nenhum destes quadros vivos pretende ser um interior real, mas simplesmente um fundo projetado para realçar os tecidos, a louça e a roupa de cama; é pouco provável que alguém um dia decore sua casa para que pareça com os folhetos de propaganda Lauren."

É justamente neste ponto que ele falha na análise e na previsão. O mundo virou um holograma. (pensando bem, algumas vezes já quis morar numa novela da globo, onde até o café da manhã de pobre é uma mesa farta)

É difícil ouvir do cliente o que ele gosta, o que ele quer. Para chegar a este ponto é preciso contornar vários temas e ter um ouvido atento e os olhos bem abertos. O mais comum é virem com soluções prontas de revistas sem pensar no que gostam e no que é possível fazer no espaço que têm.

"Como é possível encaixarmos a realidade neste mundo imaginário?"

Dentro do mundo ideal, do que gosta é possível achar "peças" que irão compor adequadamente os espaços que têm, transformando brilhantemente num espaço que possam se reconhecer e gostar.

Embora, boa parte se não querer morar na casa da propaganda, quer uma casa só para exibir pros amigos ou aparecer na revista.

 

 

NB - Drops Corporation não é responsável pelo texto, pelo português ruim

ou pelas vírgulas fora do lugar.

Só é responsável por colocar a cultura ao meu alcance.

A Drops Corporation todo o meu reconhecimento e agradecimentos.

publicado às 14:14

isto é...

por sapoprincipe, em 14.04.15

A long time ago... passava na tv  um reclame que dizia:

se de repente um homem lhe oferecer flores, isto é impulse (com "e" mesmo, pq era a marca do produto).

Agora, século XXI, vc vai ao shopping, passa por uma loja de produtos para casa, lembra da amiga que começa os planos de montagem da casa para a qual ela irá se mudar em julho, e vc num impulso (com "o" pq não é nome do produto) compra uma almofada para lhe oferecer, isto é... amizade.

150414_decorfuturoquarto.jpg

 

NB - que os amigos não venham me cobrar. Raramente dou presente. Só compro alguma coisa quando acho que tem mesmo a "cara" da pessoa. 

Neste caso, será que ela gosta de borboletas? eheheheheheheheh (nem Malévola tem uma risada melhor)

publicado às 13:31

decorfuturos

por sapoprincipe, em 08.04.15

muito raro o aproveitamento de vinil ou cd que achei digo de atenção, mas este poderia ficar bem numa cozinha ou copa.

150408_decor futuro - cozinha.jpg

 

 

publicado às 15:51

assinatura

por sapoprincipe, em 17.03.15

mesadejantar

Tai uma ideia que gosto. Adoraria ter assinado este projeto.

Não sei nem quem é o designer da mesa nem o autor da foto se alguém souber,pf, me envie. Agradeço.

 

NB - com o patrocínio de Beth S. - o designer é Robert True Ogden.

publicado às 13:31

decorfuturos

por sapoprincipe, em 23.02.15

Há tempos (não muito tempo), postei para algun@s amig@s imagens no feissy de seus "bichos" preferidos.

Já nem me lembro quem, mas um@ deles perguntou como que ficaria usar aquela imagem numa decoração.

Vez por outra, vejo imagens que poderiam traduzir bem esta ideia. Decidi colocar aqui, então, imagens que chamarei de decorfuturos. Não que eu vá fazer ou que as sugestões sejam todas aproveitadas - de repente pode ser só uma cor, ou uma combinação que chamem a atenção. Mas são ideias. Seja do que fazer ou do que não fazer. Logicamente que isso dependenrá dos olhos de quem vê.

 

decorfuturo01_by Walls Republic

 

papel de parede by Wall Republic

Vamos combinar que daria mesmo uma sala de almoço ou de chá bem simpática. E ninguém passaria impune perante este rabo. eheheheh 

Especial para Vera.

publicado às 21:12

geladeira

por sapoprincipe, em 18.01.15

abrindo a geladeira pra refrescar o verão.

150118_refri_verao

 

by Cláudio Luiz

publicado às 21:12


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