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canapé

por sapoprincipe, em 19.09.18

180919_Meissonnier_terrina.jpg

Terrina

Semana passada fui ao "Morar mais por menos". Que já não tem o "menos", só o Morais mais, pelo jeito. No início tinha uma tendência alternativa, do "faça você mesmo" (como se estas exposições não fossem ropaganda de profissionais), mas há muito que fico achando uma vibe - como não consegui entrar na Casacor... Inclusive, já ouvi de um participante, em uma palestra, que ele não se importava com a regra, fazia o que queria pois o que lhe interessava era captar clientes ricos. Não só deselegante foi a sensação com que fiquei.
Este ano foi no Casa Shopping. Além da vertente - comercial - clara, perde um pouco do charme por não ter uma casa "emoldurando" tudo. Mesmo que, nessas exposições, cada espaço tenha estilos bem diversos, fica mais fácil imaginar com a casa o espaço habitado por uma família. Eclética, mas família.
A Casacor começou ontem aqui no Rio. Acho que o impulso que ela deu ao design de interiores (e acho que não só no Rio, mas no Brasil todo) foi enorme. Na década de noventa - do século passado - decoração era, ainda, bem elitista. Depois foi avançando para a classe média com força e, hoje, até mesmo a classe C procura, algumas vezes, profissionais da área e tem despertado para a importância da decoração - ou pelo menos ter claro que eles têm direito ao "conforto" (pra jogar com o tema do livro).
Mas falemos da "primeira" Casacor...

"Em 1735, um sofá foi o primeiro móvel a alcançar celebridade instantânea, a ganhar cobertura imediata da imprensa e rapidamente ser ilustrado em manuais de design. ...
Mais ou menos na mesma época teve início o turismo de móveis. Estrangeiros começaram a ir a capital da França quando queriam ter certeza de comprar os móveis mais elegantes e na última moda para suas casas. Entre os primeiros turistas de móveis estava o grande marechal da coroa polonesa, o conde Franciszek Bielinski." (Mari, outra citação do turismo. Sem contar que esta moda ainda não passou. Eu mesmo já fui a São Paulo, tanto para ver móveis como ir ao Casa Cor.) .

Chegando em Paris (início da década de 1730) Bielinski escolheu o talento em voga - Juste Aurèle Meissonnier.

"Como era um homem de múltiplos talentos - arquiteto, decorador, designer e artífice que trabalhava com prata -, Meissonnier poderia se encarregar de todo o trabalho." Sem contar que ele era um dos mais notórios criadores do Rococó - estilo em destaque na época.
"Era o estilo perfeito para um naturalista como Bielinski: suas linhas sinuosas e assimétricas e superfícies elaboradamente entalhadas se inspiravam nas curvas e reentrâncias da natureza observadas em conchas e pedras. ... A produção arquitetônica de Meissonier não era vasta; mas ele fazia muitos objetos para o dia a dia que, quando tocados por sua verve decorativa extravagante, tornavam-se mágicos em vez de cotidianos. Todas as peças de Meissonnier eram alegres e extravagantes, produtos de uma imaginação que beirava a loucura e o ridículo." [vide a sopeira acima]
"Para Bielinski, entretanto, não bastava uma cópia; ele queria os objetos verdadeiros, muitos deles, para falar a verdade. Encomendou a Meissonnier um cômodo completo e logicamente não qualquer cômodo, mas um cabinet, saleta íntima alardeada pelos arquitetos modernos.
Quando ficou pronto, em 1735 [não deixem de reparar que se passaram 5 anos. E vc aí reclamando que a decoração do seu apartamento não ficou pronta em 2 meses], o cômodo era a manifestação decorativa mais completa e harmoniosa já produzida pelo homem que ditava as regras do novo estilo.
Só havia um problema: esse pacote digno de um prêmio estava destinado a remoção imediata e definitiva do solo francês.
O mundo do design logo se mobilizou e encontrou uma solução para que esse manifesto definitivo do novo estilo francês não desaparecesse sem deixar rastro. A solução encontrada não tinha precedentes: foi a primeira exposição pública de design. O Cabinet de Bielinski, já desmontado e pronto para ser enviado a Varsóvia, foi remontado nos mínimos detalhes dentro de um dos cômodos do palácio das Tulherias, em París. Lá, tornou-se literalmente uma exibição pública de móveis e decoração interior. Em 1735, uma multidão de parisienses e estrangeiros lotou o palácio para admirar a obra-prima de Meissonnier, assim como se ia naquela época aos salões de pintura e como hoje se vai" ...a Casacor.

180919_Meissonnier.jpg

Canapé

"E então a pièce de resistance: o sofá. Foi a primeira vez que Meissonnier voltou sua atenção para a mobília; em toda a sua carreira, ele desenhou poucos móveis e nunca mais criou outro sofá. [mais esse aí vc viu um similar na casa da sua vó ou na casa da amiga rca da sua vó, vai, conte-me] Antes da exposição, havia poucos móveis desenhados por arquitetos, e os poucos que existiam jamais saíram das residências monárquicas. Foi o sofá de Meissonnier que inaugurou a vida pública da mobília desenhada por arquitetos. [e os arquitetos querendo falar mal do design de interiores] .
O repórter do Mercure de France concluiu que o conjunto de Bielinski - levaria à Polônia "uma idéia extremamente favorável do progresso das belas-artes na França". Também ajudaria a demonstrar para um novo público algo que os parisienses já sabiam bem: em 1735, decoração de interiores estava adquirindo uma importância considerável; começava a assumir uma identidade independente da arquitetura e estava prestes a se tornar o que chamamos de um campo." Que foi bem cultivado. E continua sendo.

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publicado às 18:41



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