Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




mudinha

por sapoprincipe, em 12.12.18

Fal, bom dia.
Estou contando que o livro chegue em suas mãos em questão de dias, enviado por mensageiro especial. Espero que goste.
Saiba que me lembrei de você em vários trechos. Se me enviar msg dizendo - vc se lembrou de mim no primeiro parágrafo da página... adorei o trecho final da página... - provavelmente irei dizer que sim / eu também. Meu livro está quase todo marcado. E algumas marcações com o nominho do lado. Como o segundo parágrafo da página 27, que está anotado do ladinho - Fal. Juntando com o início do capítulo 12, é o que teremos pro momento. rs
Foi impossível não lembrar dos seus comentários sobre o figurino de algumas repórteres de um badalado canal de tv. Embora eu só tenha ficado assustado quando vi uma notinha na internet dizendo que um certo ator talentoso (neto de um apresentador de programa de auditório que só dá bola fora no momento) irá lançar uma coleção de moletons, para serem usados no dia a dia, com estampas próprias de pijamas.    Mas, saiba que é tudo culpa do século XVII e XVIII.
Os reis de França tudo decidiam. E frequentar a corte exigia todo um ritual e etiqueta. Como você bem sabe. Até as roupas estavam definidas. Em favor do vestuário formal tinha uma questão 'simples' - "Sem a aparência exterior, o rei perde seus direitos''. (p.277) Ou a majestade.
As mulheres com seus longos e volumosos vestidos, que só podiam ser de seda, rendas, veludo, adamascados, tinham que segurar um bom peso.
Considerando que a muitos poucos era considerado a honra de se sentar na presença do rei, ainda tinha mais este inconveniente, ficar horas em pé. O que era 'facilitado' pelos corpetes.
" O corpete era a essência da indumentária: uma obra-prima da arte da costura, intrincado e repleto de barbatanas. Era bem apertado, de forma a produzir uma superfície perfeitamente lisa - dobras estavam fora de questão. O corpete assumia o controle do corpo da mulher que o vestia. Uma vez espartilhados, os corpos de todas as mulheres ficavam muito parecidos. O espartilho achatava o busto, criando uma forma rígida que, apesar do ar régio, as deixava nada atraentes ou acessíveis. Mulheres em vestidos formais eram sempre retratadas de pé, porque era o que as vestes lhes permitiam fazer melhor. O corpete garantia uma postura absolutamente ereta, e mesmo sentadas elas não precisavam de apoio, porque o espartilho fazia isso. Elas nunca se sentavam verdadeiramente a vontade; não conseguiam se curvar, se reclinar ou se posicionar de maneira atraente. Cruzar as pernas era extremamente desconfortável; o ideal era cruzar as pernas decorosamente na altura dos tornozelos." (p. 278/279)

181212_secXVII.jpg

"Os trajes oficiais da era da suntuosidade mostravam-se inconvenientes para a vida cotidiana e eram torturantes durante a gravidez." Somente as mulheres que carregavam um herdeiro do trono tinha autorização de não usarem os trajes oficiais durante a gravidez.
Madame de Montespan, uma das favoritas do rei Luís XIV, grávida de sua primeira filha, conseguiu, em 1686, a primeira autorização. Mais à frente, a nora do rei, que esteve acamadas por uns dias, também conseguiu.
E com a criação dos sofás e cadeiras cada vez mais confortáveis, a arquitetura propondo ambientes menores e mais aconchegantes, este prazer do conforto começou também a ser exigindo na moda.
A incipiente indústria da moda precisava mesmo de algo novo, visto que os trajes do estilo magnificente eram muito elaborados, caros e pouco atrativos.
Entre as importações começaram a chegar o que eles chamaram de 'robe de chambre'.
Com o interesse pelos tecidos indianos estampados, os importadores começaram a encomendar desenhos que eles achavam que seria do agrado do mercado. Assim, tiveram estampas a imitar o rendado tradicional, florais, animais exóticos - elefantes, por exemplo - que vinham em várias cores.
"O novo visual era a verdadeira essência de algo vendável. Foi o primeiro estilo a ter anúncios, no sentido moderno do termo, marcando o início da moda como a conhecemos hoje - um estilo copiado e imitado que influência a maneira como uma parcela significativa da sociedade se veste. Teve um sucesso tão fenomenal que se espalhou por diversas camadas da sociedade francesa e para além das fronteiras da França." (p.280-281)
O corte de quimono que foi introduzido agradou tanto a homens como mulheres, que caíram de amores pela informalidade e pelo conforto que proporcionava. Até que "em 1681, uma veste de algodão indiano "multicolorido" (provavelmente uma mistura de vermelho, azul e violeta) com motivos florais e acolchoado (de forma que aquecesse o suficiente no inverno) foi entregue em Versalhes." (p.27) O Rei Sol, o homem mais obcecado pela suntuosidade, havia se rendido ao conforto. Por conta do conforto, do caimento e leveza as pessoas queriam usar em todos os lugares.
Assim, "o mês de fevereiro de 1699 marcou um triunfo dos defensores do conforto e da informalidade: um bando de jovens da realeza, liderados pela duquesa da Borgonha, mulher do neto do rei, chegou a um baile em Versalhes vestindo robes de chambre de algodão indiano." (p.27)
Alegrias de uns... a princesa palatina, defensora da suntuosidade e da etiqueta da corte, gracejou: "daquela maneira, as pessoas pareciam estar vestidas para ir para a cama". Igual as tais jornalistas apresentando o jornal da noite.
Então, Falzinha, da próxima vez, não se preocupe em sair em "mudinhas" para um encontro ou almoço com as amigas. rs.
Abraços confortáveis.
Do sempre seu,
CL

O Século do Conforto - Joan DeJean

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:53



Mais sobre mim

foto do autor


Posts mais comentados


Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D