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decor XVII

por sapoprincipe, em 22.02.18

"Entraram na sala de mãos dadas, dois selvagens nus numa selva de espelhos de moldura dourada e escrivaninhas Luís XV.
Pierson já estava instalado em seu lugar, no canto do aposento: uma vasta bergère de couro que parecia engoli-lo, tornando-o ainda mais magro e mais murcho do que já era. À sua direita estava a vitrola, com o sexteto de Brahms girando no prato. À sua esquerda, um aparador baixo de mogno, coberto de caixinhas laqueadas, estatuetas de jade e outros bibelôs dispendiosos. Era uma sala cheia de nomes e objetos inamovíveis, um encrave de idéias."

O Livro das Ilusões - Paul Auster

publicado às 16:18

decor XVI

por sapoprincipe, em 19.01.16

"Olhou as paredes do seu apartamento, tudo tão limpo e tão organizado, pobremente óbvio: os livros em ordem alfabética por autor, a mesa lustrada, as duas cadeiras de antiquário, o sofá de couro marrom, a cozinha com suas latas de mantimento quase vazias, o fogãozinho de duas boas. Aquela era a sua vida, a sua experiência de vida. De fato, tinha agora certeza de que queria mais do que aquilo."

 

Sal
Leticia Wierzchowski

 

NB - não achei que o livro era esta coisa toda que eu havia lido na internet.

publicado às 08:00

Casa - fechando a porta

por sapoprincipe, em 27.07.15

O fascínio moderno por móveis inicia-se no século XVII.

Começaram a preencher o vazio medieval com cadeiras, cômodas e camas com dossel, mas de modo praticamente impensado. Estes quartos lotados não eram propriamente decorados.

Em França a nobreza e a alta burguesia viviam em casas individuais grandes - chamadas de "Hotels".  Não havia corredores nestas casas - cada quarto era diretamente ligado ao próximo - e os arquitetos se orgulhavam de alinhar todas as portas "enfilade", de modo que houvesse uma visão ininterrupta de um lado ao outro. É evidente que se priorizavam as aparências, ao invés da privacidade; todos, desde os empregados até os visitantes, passavam por cada um dos cômodos para chegar ao seguinte.

O palácio de Versalhes de Luís XIV também havia sido uma "casa grande", a maior da França. Ele era um lugar público, com poucas restrições aos lugares onde os cortesãos poderiam ir, e, consequentemente, oferecia pouca privacidade. Isto começou a mudar.

As duas grandes descobertas da Era Burguesa - a privacidade e a domesticidade - surgidas, naturalmente, nos Países Baixos, até o séc XVIII já haviam se espalhado pelo resto da Europa setentrional - Inglaterra, França e os estados alemães.

A primeira coisa que Luís XV fez quando se mudou para Versalhes foi reformar seus aposentos particulares. O enorme quarto pomposo ficou como era - para as formalidades e agora o rei dormia em outro lugar, isolado. O rei, antes uma figura pública, sentindo necessidade de privacidade é um exemplo do nível de influência que os valores burgueses exerciam e quão tão longe iam as mudanças de hábitos. Mme. de Pompadour, amante de Luís XV durante pouco tempo e depois sua conselheira e confidente durante quase 20 anos, foi grande incentivadora do interesse de Luís XV pela arquitetura doméstica.

A casa estava se tornando um lar e, após a privacidade e a domesticidade, o palco estava armado para a terceira descoberta: a noção de conforto. Os móveis forçam a civilização que se senta no alto a, mais cedo ou mais tarde, levar em consideração essa questão.

Logicamente que o estilo de vida hedonista das milhares de pessoas vivendo por prazer e se divertindo muitíssimo em Versalhes contribuiu para que os móveis confortáveis surgissem ali em primeiro lugar.

O maior problema para projetar os móveis não era somente técnico - o de como fazer a cadeira - mas também cultural - o de como ela era usada. [será usada. Fazendo um projeto tenho sempre que levar em conta a rotina de vida dos clientes. E, não raro, me vejo explicando como se dará o uso do novo projeto e como isto irá alterar algumas dinâmicas]

Mesas e cadeiras, ao contrário, por exemplo, das geladeiras e das máquinas de lavar, são um refinamento, e não utilitários.

A cadeira adquiriu um papel diferente na França de Luís XIV, época de prodigiosas conquistas militares, políticas, literárias e arquitetônicas. Também nesta época, os móveis foram elevados ao nível das belas-artes. Eles começaram a ser vistos como parte integrante da decoração de interiores, e a disposição improvisada dos móveis no passado cedeu espaço para uma decoração rigidamente arrumada. Ilustrações do palácio real de Versalhes mostraram uma mesa entre cada conjunto de janelas, uma cômoda de cada lado da porta, um banco na base da pilastra. Como a função dos móveis era realçar a arquitetura do cômodo, e não acomodar pessoas, as cadeiras eram projetadas para serem admiradas, e não, por incrível que pareça, para as pessoas se sentarem.

Já no século XVIII a variedade de tipos de móveis - na França - refletia a especialização que estava ocorrendo na divisão da casa; diferentes cômodos estavam adquirindo diferentes funções [ anteriormente os espaço não tinham função definida. Por exemplo, não existia uma sala de jantar, a mesa era armada e desarmada para ser locada no espaço em que queriam comer].

Nesta época surge na França o estilo que ficou conhecido como rococó - trocadilho com barroco e roc derivado de rocaille - como todos nomes da história da arte, ele foi criado após o fato, em torno de 1836. O termo não era elogioso; foi criado por críticos que desaprovavam o estilo. Mas o rococó é de suma importância.

O rococó foi o primeiro estilo desenvolvido exclusivamente para o interior, em oposição ao exterior. Isto realça que a parte interna das casas estava sendo entendida como muito diferente da parte externa, e também que ocorria uma importante distinção entre a decoração de interiores e a arquitetura.

Foi só no rococó que arquitetos como Blondel puderam se especializar em "decoração de interiores". [surgia aí uma das minhas profissões]

No futuro, o rococó seria substituído por outros estilos, mas permaneceria a convicção de que a parte interna as construções deveria ser considerada independente da parte externa.

Começou-se a ter diferentes móveis para cômodos diferentes e formalidades diferentes.

Havia diversos modelos de chaises longues e espreguiçadeiras, marquesa e duchesse para usos feminino.

Até a onipresente cadeira de braço estofada deve a sua forma a moda feminina: os braços recuados acomodavam as amplas saias e os encostos baixos davam espaço para seus penteados extravagantes.

O refinamento delicado do rococó francês foi frequentemente considerado feminino. E era, e não só no sentido metafórico. Se os interiores e a decoração das casas refletiam uma sensibilidade diferente, não foi só porque Luís XV - e portanto a sua corte - era dominado pela Mme de Pompadour, mas porque toda a vida social durante o ancien regime foi dominado pelas mulheres.

As cadeiras medievais, que tinham assentos retos de madeira, quase nunca eram estofadas. Mais tarde diversos materiais - couro, palhinha de junco, ratã - foram usados para fazer cadeiras. Inevitavelmente, tentava-se prender as almofadas à cadeira para evitar que elas escorregassem, o que originou os assentos estofados do final do século XVII. Este desenvolvimento atingiu o seu apogeu nos móveis do rococó francês quando estofaram os assentos, os encostos e até os braços.

Hoje em dia, admiramos [ou criticamos] seus aspectos decorativo [e excessos], mas a sua maior realização foi a ergonomia, pois estas belas cadeiras do rococó eram, acima de tudo, extremamente confortáveis [Cris Reis, lembrei-me de você, é claro].

Apesar trabalho de design de interiores ter surgido lá no século XVII / XVIII o profissional da área ainda é visto com um misto de desconfiança e prescindível. Além de ser basicamente contratado pela elite. O que é uma pena. Conforto, ergonomia, aconchego, identidade deveria ser básico. Mas ainda não conseguimos resolver nossa questão mais básica de teto/moradia [mais pela falta de uma política que não pense só no lucros de alguns] que ainda falta muito para chegarmos lá.

Fechando a porta de Casa, todavia a discussão continua.

 

Adendo - já que falamos de Holanda e França, um pulinho na Inglaterra - para não passar em white.

Enquanto na França o destaque fica pela vida palaciana e a preferência pelas grandes casas e na Holanda o desenvolvimento das casas menores e com privacidade ter sido mais rápido, na Inglaterra a preferência pela casa de campo teve repercussões na arquitetura.

Quase ninguém que tinha uma posição de liderança nos círculos da sociedade morava em Londres.

A planta e a disposição das casas urbanas inglesas, que geralmente eram enfileiradas (diferente do hotel parisiense, que era de centro de terreno) haviam sido padronizadas no final do século XVII, e pouco mudaram nos 150 anos seguintes. As casas de campo, por outro lado, eram bastante variadas, e foi aos seus projetos que os seus donos e arquitetos dedicaram a maior atenção.

Detalhes de etiqueta - a educação que cada vez perdemos mais.

Como não tinham celulares e zapzap, vizinhos de porta trocavam recados por escrito - que eram entregues por um criado - para evitar uma visita desavisada. Era falta de educação (ainda deveria ser) entrar sem ser convidado. Quando se planejava uma visita, era necessário deixar o seu "cartão de visitas" e esperar uma resposta.

Enquanto espero por respostas e pela entrega de alguns cartões, vou no aconchego da minha casa me recostar em meu sofá estofado, e pegar meu kindle para ler Orgulho e Preconceito de Jane Austen - a leitura ficará bem mais clara agora, of coursemente - e me entreter com as investidas de Mr Darc.

Texto tirado de
Casa - Pequena história de uma ideia
Witold Rybczynski


A Drops Corporation todo o meu reconhecimento e agradecimentos.

publicado às 20:01

casa - um lugar especial

por sapoprincipe, em 15.06.15

Chegamos ao ponto que me fez querer escrever sobre o livro - Holanda.

[ Casa - pequena história de uma ideia - Witold Rybczynski] 

A simplicidade da burguesia holandesa era expressa de várias maneiras. Os trajes do homem holandês, por exemplo, eram simples. Podia variar o tecido mas o estilo não mudou durante várias gerações (equivalem aos ternos atuais. Olhando livros de moda e vendo as variações das roupas ditas femininas - túnicas, saias, faethingale, anquinhas, espartilhos, melindrosas... as saias foram subindo até chegar na minissaia. Já os homens - túnicas, saias, aí chegou-se a solução de calça e casaca e não evoluímos muito mais daí, vem se repetindo com pequenas variações. Mas o assunto é casa e não moda.)

A mesma simplicidade e ponderação podia ser vista nas casas holandesas, que não tinham pretensão arquitetônicas das casas urbanas de Londres ou de Paris e que eram feitas de tijolo (que não se presta à ornamentação elaborada) e madeira em vez de pedra. Materiais mais leves, visto que o terreno era pantanoso e, geralmente, requeria fundações de vigas, cujo custo podia ser reduzido se as fundações suportassem menos peso.

Construir sobre vigas em terrenos recuperados tinha seus inconvenientes, mas também trouxe uma vantagem inesperada para seus ocupantes. Como as paredes laterais comum destas casas suportavam todo o peso do telhado e do piso, as paredes transversais externas não tinham qualquer função estrutural e, devido ao alto preço das fundações, era vantajoso construí-las o mais leve possível. Para conseguir isto, os construtores das casas holandesas inseriam várias janelas grandes nas fachadas, cuja função pode ter sido diminuir o peso, mas que também permitia que a luz penetrasse bastante nos interiores profundos e estreitos.

A luz que entrava por estas janelas era controlada por portinholas e por uma nova invenção - cortinas - que também oferecia privacidade da rua. Quando estas aberturas ficaram maiores, tornou-se mais difícil abri-las da maneira convencional, e os holandeses inventaram um novo tipo de janela - a janela de guilhotina.

Com a prosperidade, e à medida que os artesãos se tornaram mercadores ou agiotas, eles construíram estabelecimentos separados para os seus negócios. Os empregados e aprendizes tinham que procurar a sua própria moradia.

Começava a se operar uma grande mudança. A ênfase que a Idade Média conferia às cerimônias realça o caráter externo da civilização medieval - a vida era uma questão pública. Eram raras as oportunidades para se ter intimidade. Assim como as pessoas não tinham forte consciência de si, elas também não tinham um quarto próprio.

Foi em tais moradias burguesas, modestas, que a vida familiar começou a tomar uma dimensão privada.  Antes que a consciência humana entendesse a casa como centro da vida familiar, precisava-se da sensação de privacidade e de intimidade que não eram possíveis no salão medieval.

O caráter público da "casa grande" foi substituído por uma vida caseira mais sossegada e privada.

 O surgimento da casa de família era um reflexo da importância que a sociedade holandesa começava dar à família. O cimento desta unidade era a presença das crianças. As mães criavam os próprios filhos - não havia babás. As crianças pequenas iam para um jardim de infância aos três anos e depois para a escola primária durante quatro anos. Os Países Baixos tinham, acredita-se, o mais alto nível de alfabetização da Europa e nem os estudos secundários eram incomuns.

Também não havia tantos criados, pois a sociedade desaprovava a contratação de criados e o governo cobrava impostos especiais. [estamos falando de fins da idade Media. Passam-se séculos e no XXI vemos brasileiros esperneando por que o governo decidiu, finalmente, reconhecer os direitos das trabalhadoras domésticas.]

Valoriza-se mais a independência do individuo do que em outros lugares.

As casas holandesas eram muito limpas. Uma das explicações seria um tipo de manutenção preventiva - "está umidade do Ar que faz com que os metais tenham uma propensão a oxidar e a madeira a mofar, o que lhe obriga a tentar evitar ou solucionar o problema esfregando e limpando constantemente."

Nas casas os andares de cima começaram a ser tratados como sala formais. O segundo andar, de frente para a rua, foi transformado em uma sala de visitas e outros quartos começaram a ser usados somente para dormir.

Quando se pedia que os visitantes tirassem os sapatos ou calçassem chinelos [Henrique, agora vc já está avisado ;c)] , isto não era feito imediatamente ao se entrar na casa - mas quando se ia para o andar de cima. Era ali que se encerrava a esfera pública e começava o lar. Este limite era um conceito novo - o desejo de definir a casa como um lugar separado, especial.

 

NB - o texto poderia quase estar todo entre aspas. É quase só copiar e colar.

publicado às 16:19

antes de ser modinha

por sapoprincipe, em 26.05.15

"Galinha recheada:

-uma galinha assada com recheio de lentilhas, cerejas, queijo, cerveja e aveia guarnecida com um molho de farinha de rosca de 'pandemayne' (pão branco fino), ervas e sal misturado com 'Romeney' (vinho de malvasia)"

Restaurante gourmet? Nova receita do chef Antonio? Luciana preparando o jantar da visita que irá receber?

Não, um prato comum nos jantares reais da idade media.

 

Casa - pag. 44

publicado às 23:00

senta lá, claudia!

por sapoprincipe, em 12.05.15

Ainda do livro.

" Os egípcios faraônicos haviam usado cadeiras, e os gregos antigos refinaram-nas até atingir uma perfeição elegante e confortável no séc. V a.C. Os romanos as levaram para a Europa, mas após a queda do Império - durante a assim chamada Era Negra - sua cadeira foi esquecida. É difícil identificar seu reaparecimento, mas até o sec. XV, as cadeiras haviam voltado a ser usadas. Mas que cadeira diferente! O Klismos gregos tinha um encosto côncavo formado para o corpo humano e pernas chanfradas que permitiam que as pessoas se inclinassem para trás. A postura confortável de um grego despreocupadamente recostado, com o braço sobre as costas baixas da cadeira e as pernas cruzadas, é considerada moderna. Uma posição dessas não seria possível na cadeira medieval, que tinha um assento duro e reto e um encosto alto e vertical cuja função era mais decorativa do que ergonômica. Durante a Idade Média as cadeiras - até as cadeiras de braço parecidas com caixas - não eram projetadas para serem confortáveis, eram símbolos de autoridade. Tinha-se que ser importante para sentar numa cadeira - as pessoas que não eram importante sentavam-se em bancos.

Uma pessoa merecia uma cadeira se sentasse reta sobre ela: ninguém jamais se recostava."

Neste ponto percebemos que a regra até há pouco tempo continuava rígida e válida. Qualquer jovem senhora que fez Socila (curso para jovens meninas que queriam saber se comportar em sociedade. E para qualquer aspirante a miss era curso obrigatório - além da leitura de "O pequeno príncipe", obviamente) sabe disto muito bem. Minhas amigas feministas pensam em levantar os cartazes. Os homens se refastelam nas cadeiras, a mulher, impecavelmente, tem que manter a costas erectas, longe do encosto e as pernas cruzadas sob o assento. Tentem fazer isto mesmo que seja só por 15 minutos.

A imagem que se formou pra mim foram as cadeiras do arquiteto e designer escocês - Charles Rennie Mackintosh (1868-1928). Apesar de serem peças do final do século XIX e início do XX, fizeram imenso sucesso nos anos 80 com a pós-modernidade, o estilo memphis e os yuppies querendo gastar seus milionários salários.

cad_mackintosh_01.jpg         cad_mackintosh_02.jpg 

O passar a sentar-se em cadeiras leva a civilização , mais cedo ou mais tarde, levar em consideração a questão do conforto. "Mesas e cadeiras, ao contrário, por exemplo, das geladeiras e das máquinas de lavar, são um refinamento, e não um utilitário".

A questão de projetar móveis não está ligado apenas a técnica (como construir), mas também ao cultural - como será o seu uso?

"A cadeira correspondia à maneira como as pessoas queriam sentar. Na Idade Média a função primordial da cadeira era cerimonial. O homem que sentava nela era importante - daí o termo 'chairman' (homem da cadeira, homem importante), em inglês - e sua postura alta e digna refletia a sua envergadura social".

Aí o rapazinho lá do fundo da sala levanta a mão e diz: mas nos já evoluímos muito. Sim, podemos responder quase todos. Mas como é mesmo a cadeira do seu chefe de departamento? A do dono da empresa? A do juiz? (não esquecer que alguns se acham deus) Tá, a da bisavó da Charlotte vocês irão dizer que tem motivo pra ser diferente. Ou pra parecer mais moderninho - GOT.

Com a cadeira servindo outros propósitos - sentar para comer, escrever etc - a postura foi mudando, embora lentamente.

Nas cortes de Luís XIV e XV iremos ter alterações ainda maiores. Devido aos interesses hedonistas, da corte de Luís XV, que começaram a surgir móveis confortáveis. Não podemos desconsiderar , neste caso, a influência da grande burguesa Jeanne-Antoniette Poisson, mais conhecida como Mme. de Pompadour, amante do rei, teve sobre ele nesses assuntos (dados acrescentados especialmente para a minha amiga Luciana - leitora eventual do blog - que irá reconhecer nela uma Biscate).

 

NB - ainda tem a regrinha, segundo consta, que para ser considerado efetivamente um designer tem que projetar uma cadeira.

publicado às 16:16

sob patrocínio de Drops Corporation ...

por sapoprincipe, em 05.05.15

Continuando a leitura de Casa - Witold Rybczynski (texto original de 1986 e publicação brasileira de 1996).

Sua referência de residência é a dos burgueses.

"O que remete o burguês ao cerne de qualquer discussão sobre conforto doméstico é que, diferente do aristocrata, que vivia em um castelo fortificado, ou do clérigo, que vivia em um mosteiro, ou do servo, que vivia em um casebre, o burguês vivia em casa".

Comparando com o habitar hoje podemos perceber que houve várias alterações numa visão global e na definição do habitar.

Algumas mudanças são óbvias - os progressos do aquecimento [conforto ambiental, diriam os mais contemporâneos] e da luz que se devem às novas tecnologias. Nossos móveis para sentar ficaram muito mais sofisticados e mais bem adaptados ao relaxamento e outras mudanças são mais sutis - o modo de usar os cômodos, ou quanta privacidade eles conferem.

A casa da idade média era um local público - as pessoas moravam e trabalhavam no mesmo local.

"Era pouco provável que alguém do sec. XVI tivesse seu próprio quarto. Foi mais de 100 anos mais tarde que surgiram os cômodos onde os indivíduos pudessem ficar a sós - eram chamados de 'privacidade'."

"Os interiores das casas medievais restauradas sempre parecem vazias. Os grandes cômodos só têm poucos móveis, uma tapeçaria na parede e um banco ao lado da lareira. Este minimalismo não é uma artificialidade moderna; as casas medievais eram pouco mobiliadas." Os móveis daquela época não eram complicados e a maioria desmontáveis ["As palavras francesa e italiana para mobília - mobiliers e mobília - significam, como a palavra portuguesa, 'o que pode ser movido'."]

Depois desta descrição fiquei pensando que uma das mudanças em relação aos nossos dias seria a compartimentação dos espaços (sala/cozinha/quartos...), mas, ao mesmo tempo, não é raro hoje em dia ouvir alguém dizer - eu gostaria muito de ter um loft.

Outra grande diferença seria o conforto.

" A palavra 'confortável' não se referia originalmente ao prazer e à satisfação. Sua raiz latina é confortare - fortalecer ou consolar - e este significado se manteve durante séculos.

Sucessivas gerações expandiram o sentido de conveniência  e finalmente 'confortável' adquiriu o sentido de bem-estar físico e de prazer, mas isto só ocorreu no século XVIII.

Sir Walter Scott foi um dos primeiros romancistas que usou este novo sentido quando escreveu: 'deixem o mundo congelar lá for, aqui dentro está confortável'."

 

NB - Drops Corporation não é responsável pelo texto, pelo português ruim
 ou pelas vírgulas fora do lugar.

Só é responsável por colocar a cultura ao meu alcance.
A Drops Corporation todo o meu reconhecimento e agradecimentos.

publicado às 14:14


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